sexta-feira, 17 de novembro de 2017

ENTREVISTAS (26) - RAFAEL COUTINHO (1.ª parte)

Rafael Coutinho (Foto: www.universohq.com)
É um dos mais marcantes criadores da actual Banda Desenhada brasileira.
Nasceu a 1 de Janeiro de 1980, em São Paulo, onde reside e onde cursou Artes Plásticas na Universidade Estadual.
É filho de outro famoso desenhista brasileiro, Laerte Coutinho, que marcou digna presença no Salão Internacional de BD de Beja, em Maio de 2014.
Por sua vez, Rafael Coutinho, já esteve duas vezes em Portugal: em 2014 (Outubro/Novembro), no Festival da Amadora, onde apresentou o seu álbum “Cachalote”; e em 2017 (Maio), no Festival de Beja, onde apresentou o seu álbum “Mensur”. Ambas as edições são da Polvo, sob coordenação de Rui Brito.
Além de desenhista, Rafael Coutinho é também argumentista, editor, pintor, ilustrador e animador cultural. Muito afável no trato, está sempre atento ao mundo sócio-político que o envolve no dia-a-dia.
Já tem obra notável, da qual salientamos alguns títulos: “O Beijo do Adolescente” (já com três tomos), “Irmãos Grimm em Quadrinhos” (um álbum colectivo, onde participou com a sua versão de “Branca de Neve e os Sete Anões”), “Bang Bang” (álbum colectivo, onde desenhou “Sobre Daisy”), “Cachalote“ (com argumento de Daniel Galera), “Muchacha“ (onde colaborou com seu pai, Laerte Coutinho), “As Surpreendentes Aventuras do Barão de Munchausen” (segundo a obra homónima de Rudolf Erichraspe) e “Mensur”. Acrescente-se ainda que, numa certa linha humorística, parodiou em “Mónica e Cebolinha, Adultos”, personagens célebres de Maurício de Sousa.
Registe-se também que o seu espantoso álbum “Cachalote”, além de editado no Brasil (2010) e em Portugal (2014), também foi editado em França, em 2012.
Daí que, para não “perdermos” mais tempo, urgia esta entrevista que - por ser tão extensa - optámos por publicar em duas partes.

BDBD - Rafael, já vieste por duas vezes a Portugal, aos Festivais da Amadora e de Beja. Em breves palavras, que melhores recordações guardas por estas tuas presenças em terras lusas?
Rafael Coutinho (RC) – Foram duas viagens muito importantes, mas muito diferentes. Fiquei mais tempo na segunda, pude conhecer melhor regiões distintas do país, conheci mais autores, me sentia mais preparado para absorver e aprender sobre o país. A primeira vez, na Amadora, foi muito carregada de emoções relacionadas às nossas origens como colónia portuguesa, coisa que tinha ouvido muito de outros brasileiros.
É emocionante e um tanto paralisante conhecer Portugal pela primeira vez, muita coisa se explica para o brasileiro, e tudo impressiona demais.

BDBD - E da segunda vez?
RC - Já na segunda vez, não só fui muito bem recebido em Beja e pude mergulhar melhor na cultura lusófona, como contei com a ajuda de muitos amigos brasileiros e portugueses, que me acolheram e me orientaram em outras regiões. Pude viajar de combóio do sul ao norte, tive mais tempo mesmo para entender a BD local, entender o contexto, um pouco da história.

BDBD - O teu “Cachalote” também foi editado em França. Isto marca uma boa alegria para a tua carreira?
RC - Marcou na época, mas já faz tempo. Acho importante e emocionante ser publicado fora do país, mas tento focar no que tenho em frente a mim para fazer. Me divido em muitas actividades ao mesmo tempo, coordeno projectos, dou muitas aulas, viajo bastante pelo Brasil. Tirei um ano para não fazer nenhum álbum e poder me reciclar, respirar outros ares e confesso que tem sido bom. Acredito muito nessa frente educativa, somos um país muito grande que se distanciou dos seus leitores. A maior parte da população perdeu o interesse nos quadrinhos, e percebo que há interesse e desejo de se aproximarem mais. Este foi um ano de muita aprendizagem para mim, nessa frente.

BDBD - Sim, mas... e a edição em França?
RC - Esta minha resposta sugere que eu não ligue para o mercado francês, porque foco no território brasileiro, o que não é o caso. Acho que é sonho de grande parte dos autores brasileiros publicar em França, conquistar os corações dos atentos leitores europeus em geral. Há uma idealização muito distante da realidade em relação ao mercado franco-belga no Brasil; os autores ainda acham que o desenhista francês vive tranquilo, sendo bem pago e podendo dedicar-se exclusivamente às suas histórias. Parte disso também se deve a um certo eurocentrismo do meio (o mesmo acontece com o mercado americano), alimentado pela própria postura dos europeus frente ao que é produzido fora dali. Quando o “Cachalote” aí foi publicado, fui a França algumas vezes e pude entender que a realidade é bem diferente, pois ninguém está ficando rico fazendo BD (ou pelo menos, a grande maioria) e que há um inchaço preocupante que se mistura a condições extenuantes de trabalho, coisa que os brasileiros conhecem bem. Ou seja, o livro foi bem, mas a tiragem era baixa, e somos, eu e o Daniel, ainda pouco conhecidos no país. Acabei percebendo o óbvio: o que importa mesmo, são os livros, e tratar de mergulhar fundo nas obras, nos projectos. Mas sim, foi muito bom, tanto para a minha carreira quanto para o meu imaturo ego de artista.


Rafael e Laerte Coutinho, dois dos expoentes
da BD brasileira actual
BDBD - Teu pai, Laerte Coutinho, teve influência para te interessares pelas artes, nomeadamente a Banda Desenhada, ou tal inclinação surgiu por ti próprio?
RC - Ele, claramente, foi uma influência. Ter um pai artista e vê-lo trabalhar diariamente nisso, teve um impacto brutal em mim, assim como a Medicina na vida de minha mãe. Foi muito importante para que eu me preparasse para as dificuldades dessa escolha, e pudesse buscar outras frentes, como animação, pintura, artes visuais, cinema. Mas ele ainda me influencia muito, somos muito amigos e próximos, fazemos projectos juntos, damos aulas. Ele me inspira muito, é uma mulher corajosa, engraçada, muito divertida.

BDBD - E preferes ser um autor total ou trabalhar em parceria com um argumentista como, por exemplo, o Daniel Galera em “Cachalote“?
RC - Ambos os processos me atraem muito. Não saberia separar. Costumo ter muitas coisas ao mesmo tempo, e percebi que buscava intuitivamente por um equilíbrio entre ambas... Projectos colectivos e/ou a solo, um alimentando o outro.
(continua)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS - ARTE COM MUITA OFICINA (7)

Por: José Ruy

Continuamos com o estudo sobre as pranchas de Harold Foster que eram publicadas em jornais e revistas que não respeitavam o formato original.

Portanto, não sendo as páginas desenhadas por Harold Foster concebidas para sofrerem alteração na disposição das vinhetas, verifiquei um caso, estranho para mim.
Qual teria sido então a razão desta página ser concebida com a segunda vinheta dividida, sendo ela inteira, como se fosse para a encaixar da maneira hipotética (e da minha responsabilidade) que apresento?
Como se vê, não faz sentido essa hipótese, pois se por um acaso a prancha fosse reorganizada ao alto, ficaria no final um espaço em branco com a falha de uma vinheta. Porque foi esta segunda vinheta cortada pelo meio, em vez de ser mantida inteira? Para mim tem sido um mistério.
Mas esta estrutura de página inteira prejudicou gravemente a série quando, fora dos Estados Unidos, muitas revistas publicaram o «Prince Valiant» em outros formatos. Para não reduzirem tanto toda a página, separaram as vinhetas e fizeram uma montagem de corte à tesoura que mostro:
Trata-se de uma publicação da «Editorial Lord Cochrana» do Rio de Janeiro, à volta dos anos 50 do século XX. Como as vinhetas não se prestavam a uma adaptação ao formato, 25,5 cm por 18 cm, ou não a souberam fazer, cometeram um dos maiores atentados que conheço à obra de Foster. Cortaram figuras a meio e, em cenas que o desenhador preparara a composição de modo a chamar a atenção para um determinado pormenor, esse importante detalhe foi simplesmente amputado. Chegaram ao ponto de acrescentar «rabiscos» ao desenho do autor, sem necessidade, como assinalo na reprodução junta.
Um verdadeiro crime que escapou às malhas das leis da «King Features Syndicate», sempre tão atenta e exigente. Incompreensível. Condenável!
(continua)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

DE ACTORES A HERÓIS DE PAPEL (17) - HAROLD LLOYD

Harold Lloyd (1893-1971)
Divertido e bem popular actor norte-americano, Harold Lloyd (aliás, Harold Clayton Lloyd) nasceu a 20 de Abril de 1893 e faleceu a 8 de Maio de 1971.
Participou em 214 filmes, a maior parte deles nos épicos tempos do cinema mudo.
Durante largo tempo, a par de Buster “Pamplinas” Keaton e de Charles “Charlot” Chaplin, foi considerado como um dos três maiores comediantes da época.
O seu primeiro filme, em 1913, foi a curta-metragem “The Old Monk’s Tale” e o derradeiro, em 1947, foi “Os Piores Anos da sua Vida” (The Sin of Harold Lloyd).
Começou por ser quase uma imitação estilizada de Chaplin e, de certo modo também, de Keaton. Depois, foi criando o seu próprio “boneco”, usando óculos e um chapéu de palha.
Caricaturas de Harold Lloyd, Buster Keaton e Charlie Chaplin, por Chill
É difícil apontar quais os seus melhores filmes (tão pouco vimos todos, o que é lógico), mas salientam-se algumas películas na sua extensa filmografia, como: “Via Láctea” (1936), “Levado da Breca” (1927), “O Homem Mosca” (1923), “Receitas do Dr. Jack” (1922), etc, etc.
Do deslumbrante e hilariante “universo lloydiano”, há porém, dois filmes muito especiais: “Safety Lost” (O Homem Mosca), em 1923, com os celebérrimos e clássicos momentos em que Lloyd está, bem aflito, pendurado aos ponteiros de um grande e bem alto relógio; o outro, é “For Heaven’s Sake” (Milionário Gaiato), de 1926, que é um constante e desassossegado corrupio de situações absolutamente convidativas à gargalhada.
Infelizmente, em Portugal, quase não existem em DVD exemplos da sua bela e histórica cinematografia...
Harold Lloyd na mais famosa cena da sua carreira, em "Safety Lost" (1923)

Claro que a sua celebridade não escapou ao “gancho pescador” da Banda Desenhada. Era só o que faltava, haver esta ingrata falha!...
A ilustrar esta evocação a Harold Lloyd, apresentam-se alguns exemplos deste actor na 9.ª Arte, na sua maioria desenhados por Tom Radford ou George Wakefield. Lamentavelmente, não conseguimos, até ao momento, descobrir o nome ou os nomes de outros devidos desenhistas.
Mas fica o merecido registo!

O britânico Tom Radford desenhou para a revista "Film Fun" aventuras humorísticas de Harold Lloyd (a quem chamavam "Winkle" por essa altura...).
"Winkle gets a punch into things for a start", aventura de Harold Lloyd
desenhada por Tom Radford, in "Film Fun 1/2d" #1 (17.01.1920)
Vinheta desenhada por Tom Radford para uma aventura de "Winkle"
Original de uma vinheta de Tom Radford numa aventura de Harold Lloyd publicada a 29.05.1937

Do trabalho de George Wakefield há, felizmente, muitos exemplos na net. Daí extraímos algumas histórias de Harold Lloyd desenhadas magistralmente por este autor britânico (cujo filho, Terry Wakefield, foi seu assistente e continuou algumas séries após o falecimento do pai, em 1942).
"Put Out!", episódio de Harold Lloyd por George Wakefield, in "Film Fun 2d." #418 (21.01.1928)
"A 'Fair'ly Good Day", episódio de Harold Lloyd desenhado por George Wakefield,
in "Film Fun 2d - Summer Holliday" (04.08.1928)

"A Fair'ly Good Day", episódio de Harold Lloyd desenhado por George Wakefield,
in "Film Fun 2d - Summer Holliday" (04.08.1928)
"Harold Lloyd, the funny man of the films", por George Wakefield,
in "Film Fun" (24.09.1938)



Capa de "Film Fun Annual" (1938), por George Wakefield, onde podemos observar
Harold Lloyd entre outras estrelas do cinema dessa época. 
Prancha de "Harold Lloyd", por George Wakefield, in "Film Fun Annual" (1938)
Em Portugal, foram reproduzidas algumas destas aventuras na revista "O Pirilau".
Para finalizar, duas notas curiosas.
1) A figura de Clark Kent - a identidade secreta do Super-Homem -, foi, segundo os seus criadores Joe Schuster e Jerry Siegel, inspirada no actor Harold Lloyd.
Harold Lloyd e as nítidas semelhanças com o Clark Kent desenhado por Joe Schuster

Capa da revista "Superman" #174 (Janeiro de 1965), onde Harold Lloyd e a celebérrima cena
de "Safety Lost" serviram claramente de inspiração aos ilustradores Curt Swan e George Klein.
2) Harold Lloyd foi também personagem de cinema de animação, aparecendo - com outros actores famosos da sua época - neste filme protagonizado por Mickey Mouse.
"Mickey Mouse: Mickey's Gala Premier", filme dos Estúdios Disney, realizado em 1933

terça-feira, 7 de novembro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (132)

ASTÉRIX E A TRANSITÁLICA - Edição Asa. Autores: argumento de Jean-Yves Ferri, traço de Didier Conrad e cores de Thierry Mébarki.
E cá temos mais um divertidíssimo álbum da série “Astérix, tomo bem conseguido com impagáveis e hilariantes momentos.
E como costuma acontecer nesta série, mesmo nos tempos de Goscinny e Uderzo, há entidades que aparecem (ainda que fugazmente) e outras que servem de modelo. Por exemplo: Leonardo da Vinci intervém numa vinheta da prancha 22, página 24; na prancha 24, página 26, é a própria Gioconda que figura; Sofia Loren (se não é ela, bem parece) está na prancha 37, na página 39.
Como Burlus Lupus, temos o político italiano Silvio Berlusconi; e ainda, o saudoso tenor Luciano Pavarotti a fazer de um gentil estalajadeiro em Parma.
E, desta vez, não faltam os Lusitanos nesta desenfreada e louca corrida internacional através da Itália, de Modicia (Monza) até Neapolis (Nápoles).
Um fartote de paródias na paródia!...


LA GUERRE DES DIEUX - Edição Glénat. Autores: argumento de Clotilde Bruneau e Didier Poli, traço de Pierre Taranzano, cores de Stambeco, capa de Fred Vigneaux e orientação geral de Luc Ferry.
Na colecção “La Sagesse des Mythes”, versando “A Ilíada” de Homero, “La Guerre des Dieux” é o segundo e penúltimo tomo.
Na arrastada e impiedosa Guerra de Tróia, os deuses olímpicos também andam bem desavindos, pois uns tomam partido pelos Gregos e outros, o dos Troianos. Entretanto, o valoroso Aquiles, rei e comandante dos bravos Mirmidões, zangou-se com Agamémnon e cruzou os braços. Ninguém o demove, salvo o seu mais que estimado companheiro, Pátroclo, que o convence a deixá-lo ir combater, no seu lugar... com as vestes e as armas do próprio Aquiles.
Na refrega, o príncipe troiano Heitor mata Pátroclo. E é então que se dá a lendária grande cólera de Aquiles... enquanto os deuses continuam com as suas maroscas.


LE BANQUET DES DAMNÉS / 2 - Edição Glénat. Autores: segundo o romance original de Didier Convard, este episódio de “Michel Ange”, é o segundo e último de “Le Banquet des Damnés”, com argumento de Éric Adam e arte gráfica de Thibaud De Rochebrune.
Um apelo urgente e misterioso, leva Miguel Ângelo a deixar os seus trabalhos em Roma / Vaticano, para se deslocar de imediato a Milão, onde tenebrosos crimes têm acontecido... Em plena época da Renascença, esta história é um sórdido policial envolto em aspectos esotéricos.
Que tem o genial Miguel Ângelo a ver com todo este sanguinário enredo?
Bem, o álbum explica...
LB

sábado, 4 de novembro de 2017

BREVES (49)

VERVE DIGITAL TEM INSCRIÇÕES ABERTAS
No próximo dia 18 de Novembro, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana / Bedeteca José de Matos-Cruz, realiza-se uma "introdução à produção de BD, experienciada através da janela do computador", por Daniel Maia e Susana Resende.
As inscrições encontram-se abertas até um máximo de vinte participantes.
Mais informações podem ser obtidas clicando aqui ou pelo telefone 21 481 54 03/4. 



AMADORA BD 2017



Até 12 de Novembro ainda pode visitar o 28.º Festival Amadora BD, no Fórum Luís de Camões (Brandôa).
De entre as várias exposições, salientamos apenas algumas: "O Espírito de Will Eisner", "Jack Kirby - 100 anos de um visionário", "Tudo isto é Fado" (de Nuno Saraiva), "Revisão - Bandas Desenhadas dos anos 70", "Fernando Relvas - retrospectiva / outra perspectiva", "O Rio Salgado" (de Jan Bauer), para além da exposição central "Contar o Mundo - a reportagem em banda desenhada".
Quanto a presenças em sessões de autógrafos amanhã, dia 5, destaque para Marcello Quintanilha, Henrique Magalhães, Jan Bauer, entre outros. 
Pode conferir tudo sobre o Festival clicando aqui.




RAFAEL SALES


O jovem desenhista de Penalva do Castelo, Rafael Sales, está a terminar o 2.º tomo da série “Detective Raton, o Beirão”, a ser editado muito brevemente pela Escorpião Azul. Por sua vez, o GICAV, prepara uma exposição sobre a sua obra, a ter lugar em Viseu, provavelmente em Janeiro próximo.
Força para todos!



CORTO MALTESE EM EDIÇÃO DE LUXO

Sob o genérico “L’Arte di Hugo Pratt”, e incidindo nos 50 anos de Corto Maltese, em Itália, a Biblioteca di Repubblica / L’Expresso, está a reeditar com um certo luxo, a obra de Pratt, insistindo essencialmente nas aventuras de Maltese.
Daqui, por exemplo, o tomo “Le Celtiche”, cuja capa aqui apresentamos. Neste volume, ainda o dossiê “I Sogni Sono d’Oro, la Realtá è di Piombo” por Luca Rafaelli e outro, no final, “L’Universo Femminile di Hugo Pratt” por Michel Pierre.
Recorda-se que Corto Maltese, é também personagem do filme português “Zéfiro”, realizado em 1993 por José Álvaro Morais e com o actor Paulo Pires na pele do famoso aventureiro. Em DVD, este filme encontra-se integrado como “extra”, com o filme “Peixe Lua” do mesmo realizador.
Por sua vez, há poucos anos,a companhia teatral “Fatias de Cá”,com direcção de Carlos Carvalheiro, levou à cena um belo espectáculo (que de vez em quando é reposto), versando o episódio “Concerto em Ó Menor para Harpa e Nitroglicerina”, que pertence precisamente ao tomo “As Célticas”, onde Paulo Moura vive o personagem de Corto Maltese. Este espectáculo está gravado em DVD, com edição da “Fatias de Cá”.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (131)

BOB MORANE, INTÉGRALE / 6 - Edição Lombard. Autores: argumentos de Henri Vernes e arte gráfica de William Vance. E um dossiê por Jacques Pessis.
Nesta versão Integral das aventuras de Bob Morane e seu companheiro Bill Ballantine, depois dos episódios desenhados por Dino Attanasio e Gerald Forton, entra-se agora na fase do grande William Vance.
Neste sexto tomo, cinco aventuras - todas inéditas em português - a saber: “Les Contrebandiers de l’Atome”, “Les Fils du Dragon”, “Opération Chevalier Noir” (a primeira incursão dos dois amigos aventureiros pela ficção-científica), “La Ville de Nulle Part” e “L’Archipel de la Terreur”.
Qual o episódio mais entusiasmante? O leitor decide!


KUROFUNE - Edição Casterman. Autores: argumento de Mathieu Mariolle, grafismo de Nicola Genzianella e cores de Fabien Alquier.
É o segundo e último tomo da breve série “William Adams, Samouraï.
William Adams, marinheiro inglês, naufragou na costa japonesa. É salvo pelo general Tokugawa, que combate todos os seus rivais para unificar e se tornar senhor absoluto de todo o Japão.
William, que é tratado como um hóspede de honra, não deixa de ser também um certo tipo de prisioneiro do grande samurai que precisa dos seus conhecimentos para as suas lutas...
O marinheiro inglês aprende a língua local e descobre, encantado, os usos e costumes deste povo “exótico”. Todavia, William Adams, apenas anseia por se escapar e tornar ao seu país natal. Mas Tokugawa vigia-o bem e o inglês acaba por se resignar: jamais voltará a ver a sua família nem a Inglaterra.


 
UN MONDE NOUVEAU - Edição Daniel Maghen. Autores: argumento de Sylvain Runberg e arte de Grun (aliás, Ludovic Dubois). “Un Monde Nouveau” é o primeiro tomo da série “On Mars...”.
Daqui a pouco mais de um século, a Terra está esgotada nas suas reservas naturais, tornando a vida quase impossível. Solução mais urgente e próxima: colonizar Marte, como um novo futuro para o Homem...
Mas antes do previsto êxodo em massa, há que criar arrojadas, colossais e penosas condições: construir grandes e seguros canais de irrigação e uma forte vegetalização do planeta vermelho.
Uma série dura e violenta, mas com muito interesse.
LB

sábado, 28 de outubro de 2017

SÉRIES DE TIRAS BD (9) - HÓRUS

Hórus é um bonacheirão e filosófico felino, que enfileira um extenso rol de personagens gatos na banda desenhada.
Como disse José Abrantes, o seu autor, numa entrevista publicada no #7 dos Cadernos Moura BD: "O Hórus era um projecto de tiras diárias que rolou bem e fluidamente até o principal jornal que as aceitava começar a falhar na regularidade dos pagamentos."
Por essa razão a série terminou, não sem antes ver dois álbuns publicados, em 1997 e 2001, pela Editora Baleia Azul (também de José Abrantes), entretanto já extinta, onde se recompilaram algumas tiras.
Ainda na mesma entrevista, uma nota curiosa: a páginas tantas, diz José Abrantes que "pode parecer contraditório mas prefiro cães a gatos, se tiver de escolher. No entanto, em termos narrativos, parece-me que o gato e a sua personalidade e morfologia se adaptam melhor a uma certa dinâmica de aventura, ao contrário do cão, que imagino mais burguês, acomodado, tranquilo..."
"Hórus" é uma série que merecia, sem dúvida, voltar a ser publicada com regularidade.
CR

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (130)

O ÁRABE DO FUTURO / 3 - Edição Teorema (grupo Leya). Autor: Riad Sattouf.
Sattouf é um autor de grande sucesso, já várias vezes premiado, nascido em Paris, filho de mãe francesa e de pai sírio. A sua vivência, para além de França, tem
passado pela Argélia, Líbia e Síria.
É bem notável esta sua série, “O Árabe do Futuro”, agora no terceiro tomo, onde relata o “ser jovem no Médio Oriente”, neste volume abrangendo os anos 1985 a 1987. É uma apaixonante obra autobiográfica, onde Sattouf não se esquiva a ser corajosamente irónico ante aspectos familiares e das sociedades por onde vai vivendo.
Uma série a acompanhar com sincero entusiasmo.

LA LOUVE - Edição Soleil. Argumento de Patrice Lesparre e arte de Roberto Jorge Viacava. Trata-se do 9.º tomo da série “Oracle”, com as guerras e desafios entre humanos e deuses.
O deus Ares (Marte, para os Romanos) foi exilado do Olimpo e obrigado a sobreviver entre os homens... Mas a sua raiva não sossega e só provoca hecatombes.
É por aqui que surge a tão bela, como corajosa e destemida Thalystridita “A Loba”, vinda da hermética nação das Amazonas, que se atreve a enfrentar o famoso deus da guerra...

REAL - Edição Freguesia de Real. Arte: Rafael Sales.
Este álbum, “Real - Tradições de uma Freguesia Beirã”, está positivamente concebido de uma forma, senão original, pelo menos, àparte os habituais processos.
Incluindo algumas fotografias históricas, todo o resto em Banda Desenhada por Rafael Sales, leva-nos, encantados, a conhecer a história, usos e costumes da Freguesia de Real (Penalva do Castelo), onde os alunos de uma escola e por sugestão de uma professora, relatam o que pensam em relação a cada mês do ano na respectiva localidade.
Obra conseguida e aconselhada sobretudo aos pais, professores e alunos e ainda aos atentos curiosos em conhecer melhor belas zonas e gentes do nosso Portugal. E é um bonito exemplo-desafio às nossas mais diversas Freguesias!
Os interessados em conseguir esta obra deverão contactar para: Junta de Freguesia de Real, 3550.171 REAL.

 
L’ARME PERDUE DES DIEUX - Edição Glénat. Autores: argumento de David Muñoz e arte de Tirso Cons, ambos espanhóis. “L’Arme Perdue des Dieux”, primeiro tomo da série “Les Traqueurs”, é uma obra estranha e inquietante...
Por meados dos anos 1600, espanhóis, ingleses e holandeses, sobretudo, desunham-se para ser os senhores absolutos das Caraíbas e da América Central, mesmo contra os corajosos e resistentes povos ameríndios. Não é nada fácil, pois muito sangue será vertido... Aspectos do fantástico temperam bem este tão escaldante cozinhado.
Os ingleses, sempre ávidos e prepotentes, forjam uma equipa científica para, na região do Iucatão (no actual Mexico), capturarem uma criatura que existe nas lendas do povo Maia, conhecida como “ o cérebro dos deuses”. É um misterioso artefacto extraterrestre ou uma sanguinária e misteriosa criatura?
A ver vamos o que vão confrontar e descobrir este caçadores da arma dos deuses, sendo certo que não se caça a arma dos deuses, pois é ela mesma que vai encontrar os seus “gulosos” caçadores...
LB

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

PELA BD DOS OUTROS (25) - A BD DO SRI LANCA

Localização do Sri Lanca
Na Antiguidade Clássica e na Idade Média, este território era conhecido como Taprobana, tal como o nosso Camões cita logo no início de “Os Lusíadas”.
Depois, passou a ser mundialmente conhecido como Ceilão, até 1972, até que em 1978, passou oficialmente a denominar-se por Sri Lanca (ou Lanka).
É um território-ilha situado ao sul da Índia. Já seria habitado desde a Pré-História, e é uma amálgama de povos e religiões.
Esta república tem por capital política a cidade de Kotte, muito embora a principal cidade seja Colombo, fundada por D. Lourenço de Almeida. Exactamente, foram os portugueses os primeiros europeus a abordar e estabelecer-se neste território.
De um modo geral, houve uma reciprocidade de simpatia e mistura de portugueses e cingaleses diversos. Mais tarde, os cobiçosos holandeses tentaram e conseguiram dominar temporariamente a ilha. Depois, ainda mais ávidos, chegaram os ingleses imperialistas, até que o ex-Ceilão se tornou merecidamente independente em Fevereiro de 1948.
Tem como moeda a rupia cingalesa e ainda hoje há famílias com apelido português. Foi um dos países que sofreu as amarguras pelo trágico tsunami de 2004.
No Desporto, as principais modalidades são: o criquete, o voleibol e o atletismo, com o futebol por perto.
No plano da Banda Desenhada, tem um bom lote de desenhistas e cartunistas, como os veteranos Camillus Perera (este apelido - parece-nos - é, muito possivelmente, derivado do português Pereira)...

G.S. Fernando (1904-1990, também com sangue português?!)...

Aryadasa W. R. Wijesoma...
...e, nos exemplos mais recentes, Prageeth Eknaligoda... 

Winnie Hettigoda...

...e Atula Siriwardane.

São valores interessantes da Banda Desenhada do Sri Lanca que talvez interessem aos insaciáveis curiosos desta Arte...
Camillus Perera, G. S. Fernando, Atula Siriwardane e Aryadasa W. R. Wijesoma
Para terminar e para os bons “garfos”, indicam-se alguns dos pratos típicos da respectiva gastronomia: Appam (um tipo de panqueca tradicional), Kottu (um especial pastel bem recheado), Parippu (caril de lentilhas), Sambol (uma especialidade “escaldante” a polvilhar qualquer outra refeição), Kukul Mas (caril de galinha) ou ainda, Wambatu Moju (picles de beringela). E não será necessário, mas mesmo assim se lembra, que a maioria destes desafiadores pratos são altamente picantes...
O Embaixador do Sri Lanca para Portugal é residente em Paris.
LB