quinta-feira, 20 de julho de 2017

LITERATURA E BD (11) - JOSÉ DE ALENCAR

José de Alencar (1829-1877)
De seu nome completo, José Martiniano de Alencar, nasceu em Messejana (Ceará, Brasil) a 1 de Maio de 1829 e faleceu no Rio de Janeiro a 12 de Dezembro de 1877.
Segundo certos registos biográficos a seu respeito, foi político, advogado, orador, jornalista, cronista, polemista, dramaturgo e romancista. Enfim, uma vida bem vivida e bem agitada!
Controverso pelo mundo brasileiro, pelo nosso Portugal importa muito mais a sua obra literária na vertente do romance, onde ele sempre nos encanta.
Por esta via, escreveu obras de belo registo histórico que nos emocionam. Títulos bem famosos: a impecável trilogia “índia”, com “Iracema”, “O Guarani” e “Ubirajara”; e depois, nos principais, “O Tronco do Ipê”, “Til”, “O Gaúcho”, “O Sertanejo”, “Senhora” e por aí adiante...
Dos seus vinte romances, há alguns que se destacam com alta força, como “O Guarani” (com altíssima posição), que foi adaptado à Ópera com a esmagadora beleza da partitura de Carlos Gomes, ao Cinema (com várias versões, nem sempre conseguidas) e ao notável seriado-TV (em 1991), cuja versão foi transmitida em tempos pela nossa RTP 1, onde se destacam as brilhantes interpretações de Leonardo Brício (Peri, o Guarani) e Angélica Ksyvickis (Cecília). Já a versão de Cinema com Márcio Garcia, foi um tremendo “flop”!
Pela Ópera, as melhores versões (existentes em CD), são as interpretadas por Nilza de Castro Tank (Cecília) e Maurício Patassini (Péri), com edição Chantecler; e, por Dalka Oliveira e Assis Pacheco, com edição da Secretaria de Estado da Cultura do Brasil.
Pois pela Banda Desenhada, José de Alencar jamais esteve esquecido, antes pelo contrário. Focamos, a seguir, apenas alguns exemplos.
A primeira adaptação conhecida foi "O Guarany", por Francisco Acquarone, publicada em 1937 no jornal brasileiro "Correio Universal", uma peça histórica recentemente reeditada pelas Edições do Senado Federal (Brasil). 
Capa e tiras de "O Guarany", por Francisco Acquarone, Edições do Senado Federal, volume 235 (2017)
O nosso José Ruy desenhou admiravelmente “Ubirajara” - a partir de uma adaptação de Maria Fernanda Pinto ao texto de José de Alencar - que foi publicado a cores no “Cavaleiro Andante”...
"Ubirajara", por Maria Fernanda Pinto (adaptação) e José Ruy (desenhos),
in "Cavaleiro Andante" #210 a #229 (1956)

...sendo mais tarde reeditado (a preto e branco) pelas edições Futura, em versão álbum (esgotado).
"Ubirajara" por Maria Fernanda Pinto (adaptação) e José Ruy (desenhos),
in "Antologia da BD Portuguesa" #1 (Edições Futura, 1982)

Mas o mesmo romance, “Ubirajara”, também foi adaptado pelo haitiano André Le Blanc, que viveu vários anos no Brasil, trabalhando para a editora EBAL, sobretudo para a colecção “Edição Maravilhosa”. 
"Ubirajara" por André le Blanc (adaptação e desenhos),
in "Edição Maravilhosa - Clássicos Ilustrados" #57 (Outubro de 1952)

Para esta linha, André Le Blanc, também desenhou “O Guarani”...
"O Guarani" por André le Blanc (adaptação e desenhos),
in "Edição Maravilhosa - Clássicos Ilustrados" #24 (2.ª edição, Fevereiro de 1954)

...“Iracema”...
"Iracema" por André le Blanc (adaptação e desenhos),
in "Edição Maravilhosa - Clássicos Ilustrados" #31 (Janeiro de 1951)

...“O Tronco do Ipê”, etc.
"O Tronco do Ipê" por André le Blanc (adaptação e desenhos),
in "Edição Maravilhosa - Clássicos Ilustrados" #46 (Março de 1952)

O nosso Jayme Cortez também adaptou "O Tronco do Ipê", em formato de tiras, para o jornal brasileiro "Diário da Noite" mas de tal exemplo por ora não temos imagens.
Mas outros notáveis do traço brasileiro por aqui se apostaram, como José A. Rossin, com “Til”...
"Til" por José A. Rossin (adaptação e desenhos) e capa de Gutemberg Monteiro,
in "Álbum Gigante" #7 (Julho de 1955)

 ...e José Geraldo com “O Sertanejo”...
"O Sertanejo" por José Geraldo (adaptação e desenhos),
in "Edição Maravilhosa - Extra" #95 (Novembro de 1954)

...ou “O Gaúcho”, por exemplo.
"O Gaúcho" por José Geraldo (adaptação e desenhos),
in "Edição Maravilhosa - Extra" #83 (Março de 1954)

E mais: “O Guarani”, teve, entre outras adaptações (agora mais recentes) as de Juliano Oliveira e Rosana Rio, que adaptaram a ópera de António Carlos Gomes e António Scalvini, baseada na obra original de José de Alencar...
"O Guarani" por Rosana Rio (adaptação) e Juliano Oliveira (desenhos),
Colecção Ópera em Quadrinhos, Edição Scipione (2012)

...e a da parceria Ivan Jaf / Luiz Gê.
"O Guarani" por Ivan Jaf (adaptação) e Luiz Gê (desenhos),
Colecção "Clássicos Brasileiros em HQ" - Ática Editora (2009)

Os brasileiros Ivan Saidenberg e Moacir Rodrigues Soares, das Produções Walt Disney, também focaram "O Guarani", numa aventura de Zé Carioca (como não poderia deixar de ser)...
"O Guarani", numa aventura de Zé Carioca, por Ivan Saidenberg (argumento)
e Moacir Rodrigues Soares (desenhos) (Estúdios Disney, 1984)
José de Alencar, que escreveu sete peças de Teatro, tem uma estátua no Rio de Janeiro e outra em Fortaleza (junto a um hotel de renome).
Foi homenageado também na Filatelia do Brasil com um selo de 30 cruzeiros (a moeda local de então) em 1965, comemorativo do centenário da publicação do romance “Iracema”.
A finalizar, dois pensamentos de Alencar:
O amor sem esperança não tem outro refúgio senão a morte”.
“Só a ignorância aceita e a indiferença tolera o reinado da mediocridade”.

Agradecemos o fraterno apoio prestado por Carlos Gonçalves.

domingo, 16 de julho de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (125)

O TESOURO DOS DALTON - Edição Asa. Autores: argumento de Morris, com a colaboração de Vicq; arte gráfica de Morris.
Em português, foi agora finalmente editada esta aventura do famosíssimo Lucky Luke. Pois em boa hora aparece esta edição, dado que a narrativa é uma das mais divertidas desta popular série, com uma situação quase absurda: os famigerados irmãos Dalton querem à viva força ser presos!... Especialmente, numa determinada e específica moderna cadeia... E que cadeia!...
Mas o juiz local é muito “afável” e não dá sentença de prisão. 
Pois então, os quatro manos, desta vez, não elaboram um túnel para se evadirem mas, pelo contrário, escavam um túnel para invadirem a prisão!
Porquê?!... Isso explica-se tudo nas trapalhadas narradas neste álbum... Leiam-no!

NIGREDO, L’OEUVRE AU NOIR - Edição Glénat. Autores: argumento de Alejandro Jodorowsky e arte de Jérémy (aliás, Jérémy Petiqueux). É o primeiro tomo da série  “Les Chevaliers d’Héliopolis”.
Algures, no norte de Espanha, funciona uma poderosa sociedade secreta, protegida e bem escondida na fortaleza-templo dos cavaleiros de Heliópolis...
Jodorowsky, na sua vigorosa maneira de inverter aspectos controversos da História, aqui e à sua maneira, recria a história do enigmático rei Louis XVII, filho de Louis XVI e de Marie-Antoinette, que foram guilhotinados nos furores da Revolução Francesa.
pequeno (dito Louis VII) teria sido morto ainda na prisão... Foi?!...
Por aqui, ele é salvo pelos Cavaleiros de Heliópolis, com a cumplicidade da famosa Charlotte Corday, que assassinou o temível revolucionário Marat e que depois, foi também guilhotinada.
Mas o jovem nobre francês, que terá nascido hermafrodita, é educado pelos Cavaleiros e torna-se num astuto e valente justiceiro...
Pois, pois!

 
TERRE DE FOLIE - Edição Delcourt. Autores: argumento de Leo e Rodolphe, traço de Zoran Janjetov e cores de Zoran Janjetov Jr. É o terceiro tomo da série “Centaurus”.
Desde que a Terra se tornou inabitável, uma monumental nave espacial, com milhares de terrestres a bordo, avança pelo Cosmo em busca de um novo planeta, capaz de acolher a nossa raça...
As gerações sucedem-se nessa quase infindável viagem, até que julgam acertar com o objectivo, no planeta Vega da constelação do Centauro...
Mas Vega está cheio de enigmas, perigos e armadilhas... E será que este planeta Vega é mesmo o autêntico? Não estarão estes atrevidos sobreviventes a ser iludidos e manipulados por um misterioso ser que se infiltrou na nave-cidade-mundo, durante a imensa viagem?

 
LE DERNIER MASQUE - Edição Lombard. Autores: argumento de Jean Dufaux e arte de O. Grenson.
Com este 15.º tomo, “Le Dernier Masque (A Derradeira Máscara), se encerra a série “Niklos Koda”, que cedo entusiasmou os leitores.
Niklos Koda, de aparente ascendência grega, que começou por ser um diplomata e agente secreto francês, muito namoradeiro também (qual um James Bond à francesa), a pouco e pouco, vai-se desviando da linha original das suas aventuras, mergulhando em universos da Magia Negra e da Magia Branca. Terrores que funcionam ou meras fantasias novelescas?...
Nos últimos tempos, Koda, vive perseguido por diversas forças e/ou entidades. E está pronto a ceder, mas antes, o seu objectivo máximo: salvar a sua filha adolescente, Seleni, que, por sua vez, também já é capaz de actuar em pleno pelas vias sinistras das Magias.
E pronto: com Seleni salvaguardada e com o sacrifício de Niklos Koda, a série por aqui se termina.
LB

quarta-feira, 12 de julho de 2017

NOVIDADES EDITORIAIS (124)

LA JEUNESSE DU HÉROS - Edição Glénat. Autores: argumento de Clotilde Bruneau, traço de Annabel, cores de Chiara Zeppegno e capa de Fred Vignaux, segundo a colecção “La Sagesse des Mythes”, concebida e escrita por Luc Ferry.
“La Jeunesse du Héros” é o primeiro tomo da trilogia “Héracles”, onde se relata como este herói, meio-homem meio-deus, foi concebido, ou seja, programado por Zeus, ao enganar e seduzir a rainha Alcmena enquanto o esposo desta, Anfitrião, estava ausente.
Foi o astuto Hermes que aconselhou Zeus para esta golpada. O pior, são os implacáveis ciúmes de Hera, a esposa de Zeus...
No entanto, Héracles vem ao mundo e irá tornar-se num valente e bravo herói.


REBELIÃO - Edição Asa. Autores: argumento de Philippe Graton e Denis Lapière e arte gráfica de Marc Bourgne e Benjamin Benéteau.
É o sexto tomo da nova fase das aventuras de Michel Vaillant, cuja família está decadente e bem desacreditada.
No entanto, o jovem engenheiro Patrick, filho de Michel, concebe um modelo revolucionário e a marca alcança inscrever-se nas míticas “24 Horas de Le Mans”... Isto, enquanto toda a família vive o doloroso luto pelo falecimento de Jean-Pierre, irmão de Michel, que não sobreviveu a um aparente e desesperado suicídio... Porém, a polícia suíça abre um inquérito, pois Michel Vaillant, é considerado suspeito pela morte do irmão...
Este episódio termina com a vitória de Michel em Le Mans, mas sendo imediatamente algemado pela polícia e com todas as televisões a filmarem tal momento...


LAURENT, LE MAGNIFIQUE - Edição Soleil. Autores: argumento de Olivier Peru e traço de Eduard Torrents.
É o segundo tomo da série “Medicis”, localizada em plena Renascença.
A cidade de Florença está no auge com todo o tipo de bens, liberdades e cultura.
Todavia, ao jovem e rico banqueiro Lorenzo Medicis, que governa esta república italiana como um autêntico rei absoluto, não faltam invejas, conspirações, intrigas e
calúnias, sobretudo da parte do escabroso papa Sisto IV... Não faltam também,  assassinatos e execuções sumárias!
“Medicis” é uma série aparentemente cruel, mas é, sobretudo, uma série apaixonante.


PANDORA / 3 - Edição Casterman. É o terceiro número desta revista-álbum, que reúne um vasto leque de desenhistas de várias nacionalidades.
Desta imensa galeria que engloba obras de vários estilos, salientam-se alguns talentos admiráveis, como Rubén Pellejero, Johan de Moor, Fabio Viscogliosi, Anthony Pastor, Art Spiegelman, Jacques de Loustal, Miguelanxo Prado, Jean-Chistophe Menu, Tom Tirabosco, Vittorio Giardino, etc, etc.
Muita e variada banda desenhada à apreciação, segundo o gosto de cada um.
LB

sábado, 8 de julho de 2017

TALENTOS DA NOSSA EUROPA (22) - SIRO (França)

Siro 
Este alto valor da nova geração de desenhistas franceses, Siro, nasceu a 12 de Outubro de 1969. Às vezes, assina como Sef Branger, mas seu nome real é Stéphane Brangier.
Autodidacta, pela sua obra notam-se influências da 9.ª Arte francófona e dos “comics” norte-americanos. Ocasionalmente, foi argumentista e, fugazmente, actor. Adora tocar guitarra e cozinhar. Como convidado especial, esteve em Portugal na edição do salão “Sobreda-BD”, em 1997.
Para as Éditions Zenda, estreou-se, em 1992, como autor completo, com a série “Master Volume”, em dois tomos: “Master Volume” e “Show Time”.

No entanto e entretanto, é com a série “Polka”, em cinco tomos e com argumentos do genial e controverso Didier Convard, que a sua notabilização começou a progredir: “Le Mal d’Orphée”, “Démokratie”, “A.D. Haine”, “Philosoft” e “Lobby Or Not Lobby”.
Uma bem conseguida parceria!

Mas o talento gráfico de Siro vai mais além pois prossegue, por exemplo, com as suas comparticipações em “Speedway” (dois tomos, com argumentos de Laurent-Frédéric Boilée)...

...“Agents Mossad” (três tomos, com argumentos de Pierre Boisserie e Frédéric Pioquin)...

...e ainda noutras apaixonantes séries, como “Voyageur”...

...“Aquablue”...

...e na histórica “La Croix de Cazenac”.

Nenhuma obra de Siro está, por enquanto, editada em Portugal...
LB