segunda-feira, 29 de outubro de 2012

ENTREVISTAS (5) - BAPTISTA MENDES

De seu nome completo Carlos Fernando da Silva Baptista Mendes, nasceu na capital angolana, Luanda, a 4 de Março de 1937. Com pouco mais de dez anos, veio com a família para Lisboa, onde estudou no Liceu Gil Vicente.
Estreou-se como banda desenhista em 1959, na 2ª fase da revista "Camarada". Colaborou depois para diversas publicações, como por exemplo "Cavaleiro Andante",  "Pim-Pam-Pum", "Falcão", "Mundo de Aventuras", "Revista da Armada", "Jornal do Exército", "Alentejo Popular", "Anim'arte", etc. Tem vários álbuns editados, donde se salientam os títulos  "Por Mares Nunca Dantes Navegados" (esgotado), "O Infante Dom Henrique", "História de Penamacor", "História de Trancoso" e ainda participou no álbum colectivo "Salúquia: A Lenda de Moura em Banda Desenhada".
Foi homenageado ao vivo nos Salões da Sobreda (1992) e de Moura (1996).
De há uns tempos para cá, tudo fazia crer que tinha abdicado da sua carreira. Foi rebate falso! Para além de muitas criações suas "na gaveta", esteve a preparar dois álbuns que já deviam estar impressos, mas que ainda não estão!... Isto levou-nos a desafiá-lo para a breve entrevista que se segue:

BDBD - Constava que estavas parado, mas afinal tens dois álbuns prontos a ser editados...
Baptista Mendes (BM) - Sim. Um é "A Vida de Luiz Vaz de Camões", que há muitos anos saiu nas páginas centrais do "Jornal do Exército". Agora será um álbum com uma nova planificação e nova paginação.
Pranchas 13 e 37 de "A Vida de Luis Vaz de Camões", por Baptista Mendes
BDBD - E o outro?
BM - O outro é "Guimarães", que era para sair no início de 2012, mas tive um problema com a vista que me obrigou a parar, donde até, o ter sido operado. Mas ficou pronto e desde Abril que está entregue na editora, que é a Âncora Editora.
Capa e prancha 1 de "Guimarães", por Baptista Mendes
BDBD - Mas são ou não são editados?
BM - Eu estou à espera que sim. Só a minha lealdade com a Âncora é que me tem feito esperar.

BDBD - E a BD de ficção, não a fazes?
BM - Agora, neste altura, não estou a pensar nisso, pois nem sei se teria saída. Interessa-me mais o campo das biografias históricas, estando até a documentar-me na figura do Marquês de Pombal. Vamos a ver...

BDBD - Que pensas dos novos da nossa Banda Desenhada?
BM - Como sempre e em qualquer geração, há gente com valor e que triunfa, como há aqueles que desistem...

E ficámos por aqui, com um apelo à Âncora Editora para que não tarde em publicar este dois anunciados álbuns de Baptista Mendes.
LB
Capa do álbum "A Vida de Luis Vaz de Camões", por Baptista Mendes

sábado, 27 de outubro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (18)

CINZAS DA REVOLTA - E de repente, uma bela e firme surpresa honrando a BD portuguesa: "Cinzas da Revolta". Com edição Asa, teve apresentação oficial a 19 de Outubro, na Livraria Leya na Rua Duque de Palmela (Lisboa). Nesse espaço, uma bela e elucidativa exposição de pranchas e das evoluções da construção desta obra,estava também patente ao público.
O álbum tem arte de João Amaral, que aqui se refugia no pseudónimo de Jhion. O João é um quase veterano pleno de valor e construiu uma belíssima obra com o seu novo grafismo que, ele próprio afirmou, está em fase de mudança de estilo.
A grande e bela surpresa porém, está no argumento de Miguel Peres, um jovem de vinte e cinco anos. Humilde, mas adultamente sabedor do que escreve, propõe-nos, de certo modo indignado, o avaliar do negativismo das guerras...
Não vamos explicar o álbum. Leiam-no, leiam-no!


ORDO AB CHAO -  "O que é que me aconteceu? Onde estou eu? Não há resposta... Como me chamo? Não me recordo! As trevas! O vazio! Uma vertigem infinita! Por Zeus! Quem sou eu?! " - assim começa "Ordo Ab Chao", primeiro tomo da série da Lombard, "Minas Taurus".
Localizada na antiguidade helénica, algures nos territórios da belicosa Esparta, as perguntas do jovem atlético são bem inquietantes e enigmáticas. A obra tem argumento de Thomas Mosdi e arte gráfica do luso-descendente David
Cerqueira, do qual já conhecíamos a trilogia "L'Ombre de l'Échafaud". Notamos agora um traço mais evoluído e mais solto.
"Minas Taurus" é uma série que promete agradar em pleno. Estejamos atentos.


A DOCE - O belga François Schuiten volta ao seu belíssimo grafismo e preto-e-branco, em edição lusa pela Asa.
"12 - A Doce" relata emotivamente a luta resistente de um velho maquinista para conservar e fazer sobreviver o seu grande (e talvez único) amor de tantos anos, uma potente locomotiva a carvão e vapor. É que o progresso, com a electricidade, avança impiedosamente... Numas primeira abordagem, o maquinista Léon Van Bellembra-nos o famoso Velho do Restelo de "Os Lusíadas", mas é só uma primeira e superficial abordagem...
Um álbum pleno de vigor, pleno de emoções e a merecer plenos aplausos.


KALACHNIKOV  DIPLOMATIE - Com edição Lombard, história de Benec (aliás, Benoît Chaumont), traço de Thomas Legrain e cores de Filippo Rizzu, "Kalachnikov Diplomatie" é o quinto tomo da série político-policial "Sisco".
Agente sombra nas altas esferas do governo francês, Sisco fará agora parte da segurança do presidente francês que, em Nova Iorque, irá fazer um discurso na ONU... Porém, tudo se complica e se torna violentamente agressivo porque a máfia albanesa anda a mexer uns sinistros cordelinhos. E mais se agrava a situação quando a irmã de Sisco é assassinada...

ERNESTO - A revelação da actual banda desenhada argentina é agora mostrada à Europa, via a edição da francófona Casterman, com "Ernesto", primeiro tomo da série "Eden Hotel".
Assim, o argumentista Diego Agrinbau e o desenhista Gabriel Ippóliti, apresentam uma bela série baseada em autênticos factos históricos, marcando a juventude de Ernesto Guevara (filho), antes de ser conhecido por "Che".
Os alemães hitlerianos conspiram sinistramente na Argentina, fazendo do famoso  Eden Hotel,o respectivo bastião, um coio onde se conjuram pesadelos. Os Ernesto Guevara, pai e filho, são membros da Acção Argentina, organização de investigação e vigilância sobre as actividades militares nazis no seu país. É aqui que tudo começa, com Helena Werber em confidências com o futuro "Che" e sempre assediada por Raynard, um jovem nazi protegido pelo abominável Goebbels.
Uma série a não perder!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O "HERDEIRO" DE HERGÉ: YVES RODIER

Yves Rodier
Os admiradores fundamentalistas (que os há) de Hergé e de Tintinvão escabujar (termo muito grato e caro do nosso Aquilino Ribeiro), dar pinotes à rectaguarda, etc... É lá com eles, serem mais papistas que o Papa! Hergé, genial nas suas criações e sobretudo pela série "Tintin", viveu sempre atormentado com ele próprio, donde o ter estados depressivos e variar de humores. Mas, pela obra, somos seus incondicionais admiradores (e não esqueceremos jamais, a tremenda gentileza com que nos recebeu em 1966, em Bruxelas, para uma entrevista...).
Quanto a "Tintin e o Alfa-Arte", a narrativa que deixou incompleta, há versões contraditórias: uns, afirmam que ele proibiu que a obra (série) fosse continuada após a sua morte; outros dizem que não, que teria lamentado apenas que seus prováveis continuadores poderiam maltratar o personagem Tintinmas que gostaria que Bob de Moor, seu fiel amigo e colega cúmplice, terminasse esta aventura...
Mas, mesmo ainda com Hergé vivo, muitos desenhistas (alguns, apenas garatujadores) o parodiaram e/ou inventaram outras aventuras de Tintin.
Outros, abusaram ignobilmente, como o anarquista, tonto e frustrado belga Jan Boucquoy...
"Le Lac de la Sorcière" (por Yves Rodier)
Entretanto, no Quebeque (Canadá francófono), um jovem de talento ia mostrando a sua mais terrível admiração por Hergé, em especial pela série "Tintin": Yves Rodier. E vai daí, foi sempre esboçando capas, elaborou histórias curtas (como "Le Lac de la Sorcière", em sete pranchas, "Tintin et le Thermozéro", em quatro pranchas, com base numa ideia que Hergé não prosseguiu), etc.
Mas a primeira grande glória de Yves Rodier, foi o ter apostado (e muito bem!) na conclusão de "Tintin et l'Alph-Art", seguindo tudo o que Hergé já elaborara e os esboços e apontamentos sobre o desenrolar da história. No Canadá, o álbum foi também editado em inglês e até há uma edição em português... pelo Brasil.
"Tintin and Alph-Art" (Canadá - versão inglesa)
E Rodier afirma que é a sua melhor homenagem a Hergé.Podemos pois  aceitar, sem preconceitos hipócritas, que este álbum foi concluído.
Yves Rodier nasceu a 5 de Junho de 1967, em Farnham, no canadiano Quebeque.
Tem por lá já vasta obra, sempre seguindo de perto e com rigor, a linha gráfica de mestre Hergé.
Entretanto, Bob de Moor, faleceu em 1992. Mas o talentoso hergeano Yves Rodier está vivo e é, pelo seu cuidadoso estilo, o verdadeiro herdeiro de Hergé... doa a quem doer.

Fazemo-nos entender?... Força, Rodier!


Página de "Tintin e a Alph-Art" (edição brasileira), por Yves Rodier





segunda-feira, 22 de outubro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (17)

NOTÍCIA TRISTE - Há algum tempo atrás, o quinzenário "O Louletano" deixou de se publicar. Mais um assassinato na tão válida imprensa regional, graças à mentalidade obtusa e tonta dos nossos últimos (des)governos.
O facto é que "O Louletano", era um dos raríssimos periódicos do nosso País que tinha sempre a sua tão procurada página dedicada à Banda Desenhada, sob coordenação do desenhista Jobat (ou José Batista).


LE ROI PERDU - A editora belga Lombard, tal como as suas congéneres francófonas, está imparável. E, felizmente, muito atenta para com as suas publicações, não só continuando séries "clássicas", como lançando novas colecções de pleno agrado.
É o caso da série "Golias", cujo primeiro tomo, "Le Roi Perdu", acaba de ser editado com argumento de Serge Le Tendre e encantador grafismo de Jérôme Lereculey. Bravo, Lombard!
Esta série leva-nos com entusiasmo à Grécia Antiga, no panorama maravilhoso das mitologia, das heroicidades e dos eternos climas da intriga política.
Golias é o príncipe herdeiro do ficcionado reino-ilha de Ankinoé. Mas, seu pérfido tio Polynos, tudo fará para... Bom, o melhor é começar por ler este álbum e acompanhar a série. E que ela se publique, urgentemente, em português! A qualidade assim o exige!

OPERAÇÃO MAR VERDE - Pela Editora Caminhos Romanos (Porto), este álbum, "Operação Mar Verde", teve apresentação oficial na Sociedade de Geografia de Lisboa, a 11 de Outubro, em simultâneo com uma biografia, "Alpoim Calvão - Honra e Dever", da autoria dos jornalistas Raúl Hortelão, Luís Sanches de Baêna e Abel Melo e Sousa.
"Operação Mar Verde" é o mais recente álbum-BD da autoria de A. Vassalo (aliás, António Vassalo de Miranda) e relata com todo o realismo e verdade histórica, a acção punitiva e de resgate que as forças portuguesas efectuaram a Conakry (capital da República da Guiné) em Novembro de 1969, sob o comando de Guilherme Alpoim Calvão. Ao lado dos militares portugueses, estava um largo número de combatentes da FNLG (Front Nationale de Libération de la Guinée), que procuravam libertar o seu país da violenta ditadura de Sekou Touré... O grave é que se Portugal aí travava uma guerra essa era uma questão entre os Portugueses e as forças do PAIGC... Mas, a República da Guiné provocava e investia frequentemente (no sonho idiota de, um dia, vir a anexar a então Guiné Portuguesa ao seu território). Nessas provocações, de uma vez, aprisionou 26 militares portugueses!... Era preciso resgatá-los e dar uma memorável lição ao intrometido Sr. Touré. E foi isso que bravamente aconteceu, numa acção sob o comando de Alpoim Calvão.
O álbum "Operação Mar Verde" regista esse feito da História de Portugal.


ASTÉRIX: RECENTES NOVIDADES - Já estreou em França e em Portugal a 4.ª longa-metragem com actores, versando nova aventura dos populares gauleses. Com realização de Laurent Tirard, trata-se de "Astérix e Obélix: Ao Serviço de Sua Magestade". No elenco: Gérard Depardieu (Obélix)Edouard Baer (Astérix)Fabrice Luchini (Júlio César)Catherine Deneuve (Rainha Cordélia)etc.
Por sua vez, o 35.º álbum-BD com estes heróis, será publicado no próximo ano pelas Éditions Albert René. Ainda sem título definitivamente registado, terá argumento de Jean-Yves Ferri e grafismo de Didier Conrad.


VERS LE NORD - Digamos que é o terceiro tomo da série "Midgard", já que o primeiro tomo era composto por dois episódios (a que já aqui nos referimos)... A série tem edição Casterman e autoria de Steven Dupré.
E, entre a acção várias vezes apontada como violenta e um bem achado humor cáustico também contido na obra... oh, leitores!, que bela situação.
Na Idade Média europeia, com sanguinários viquingues (hoje, as nações escandinavas), o povo à beira-mar das margens oceânicas que hoje são a Holanda e parte da Bélgica e uns amedrontados frades catequizadores da Irlanda, que faz no meio de tamanha confusão, uma pequena criatura de pele azul e aparatosamente caída de um outro planeta?
Uma obra  estranhamente divertida. A ler!

sábado, 20 de outubro de 2012

ENTREVISTAS (4) - JOÃO AMARAL E MIGUEL PERES

João Amaral (Jhion) e Miguel Peres
São de gerações diferentes, combinaram, acertaram, fizeram parceria e daí, resultou um belo e bem aconselhável álbum, "Cinzas da Revolta", do qual falaremos em breve de um modo mais específico.
O desenhista é o João Amaral, que agora prefere ser designado por Jhion (?!...). Nasceu em Lisboa a 14 de Novembro de 1966. Tem quatro álbuns publicados, para além de ter participado no colectivo dedicado a Vasco Granja.
O argumentista é Miguel Peres, que nasceu em Setúbal a 17 de Janeiro de 1987. Tem feito argumentos para histórias curtas, mas agora arrojou-se (e bem !) para uma "longa-metragem".
Claro que este facto justificou a entrevista que se segue, ocasionada numa esplanada e num encalorado sábado, num largo bem histórico de Lisboa. 
E o "Jhion" que nos perdoe, mas indicamos as suas respostas com as iniciais da sua "assinatura" mais conhecida...

BDBD - Como surgiu a ideia de trabalharem juntos?
Miguel Peres (MP) - Inicialmente, tinha uma ideia para uma história de ficção científica e andava à procura de desenhistas portugueses... Deparei com os desenhos do João no seu blog... Desafiei-o, mas o João estava com outros trabalhos e a coisa não deu. Mas ficámos sempre em contacto.
João Amaral (JA) - E foi a minha vez de abordar mais directamente o Miguel, que me disse então que tinha uma nova ideia para um enredo que se passava na guerra colonial em Angola... Sendo eu um desenhador que gosta muito de grandes cenários e que há muito pouca coisa na nossa BD sobre a guerra colonial, manifestei-lhe logo o meu entusiasmo.
BDBD - Portanto, o tema de "Cinzas da Revolta", é a guerra colonial em Angola?
MP - Exactamente.
JA - Mas, atenção, é uma história de ficção.
MP - O contexto histórico é real, mas a história em si, é ficção.
JA - Acho que o álbum, fundamentalmente, foca a estupidez que é a guerra. E poderia passar-se em qualquer guerra. Mas focámos a nossa guerra colonial em Angola, porque é muito recente e é uma ferida que nos toca muito, aos portugueses.
MP - A ideia inicial que eu queria explorar era focar como é que alguém funciona quando passa a pensar segundo as teorias do inimigo ou do adversário... Acabou por resultar mais na denúncia da estupidez da guerra, de qualquer guerra.
BDBD - E depois desta primeira experiência, vão continuar com a vossa parceria?
JA - Gostei muito de trabalhar com o Miguel. Mas para já, tenho outros projectos para avançar e, no futuro, espero voltar a trabalhar com o Miguel, talvez mesmo, arriscando-me pela ficção científica, que não é muito o meu género.
MP - Também gostei muito de trabalhar com o João, que é extremamente profissional. Foi óptimo para eu aprender...
JA - E eu aprender também. Aliás, entre guionista e desenhista, deve haver sempre uma química de apoio e de cumplicidade.

"Cinzas da Revolta" teve apresentação pública ontem, dia 19, na Livraria Leya na Buchholz, em Lisboa. Falaremos dele muito em breve.


Prancha 2 


Prancha 17


Prancha 26

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (16)


LE JUGEMENT DE LA BALANCE - E a muito interessante série "Zodiaque", pelas Editions Delcourt, já chegou ao sétimo tomo: "Le Jugement de la Balance". Tem argumento de Corbeyran, capa de Thomas Ehretsmann, traço de Ullcer e cores de Jérôme Brizard.
Até agora, é um dos mais sedutores álbuns desta bela série plena de mistérios. Narra-nos a história que o "procurador Benjamin Brass, por ser bruxo ou feiticeiro, de modo algum tal o afasta do fascínio pelo mal, antes pelo contrário. Graças ao seu talento, ele vai ao ponto de neutralizar as cinco grandes famílias que estão à cabeça do crime organizado em Nova Iorque.
Mas o inevitável regresso do equilíbrio de forças antagonistas vai confundi-lo e pôr em causa as suas mais firmes convicções"...



AU PREMIER SANG VERSÉ... - Com edição Lombard, "Au Premier Sang Versé...", é o primeiro tomo, da série de quatro, "Duelliste".
Para os amantes (que não são nada poucos) das histórias de capa-e-espada, aqui temos uma fascinante série digna de uma entusiasmante leitura. Tem argumento de Emmanuel Herzet (fervoroso admirador da obra dos romancistas Paul Féval, Alexandre Dumas e Miguel Zevaco), cores firmes de Vyacheslav Panarin e o brioso traço, tão elegante quão vigoroso, de Alessio Coppola.
Tudo envolve, nos tempos de Louis XIV de França, a vivência de um tal Antoine Velayne, um exímio espadachim que é sempre contratado pelos grandes senhores, cobardes por natureza, para ele os substituir nos duelos. E Velayne sai sempre vitorioso. Mas uma vez, o nobre que o contratou, enganou-o. E Velayne reza para que o vencido não morra... E aparece também um estranho e geral fenómeno alquímico que pode vir a complicar todo o sistema...



LEONARDO COIMBRA - Publicação da Âncora Editora, com autoria de José Ruy, nosso incansável autor-artista da Banda Desenhada.
"Leonardo Coimbra e os Livros Infinitos", relata-nos a vida desse grande filósofo, político e pensador português, Leonardo Coimbra, natural da zona de Felgueiras. A obra tem interesse na sua função didáctica, mas este é um género que não deve ser abusado na Banda Desenhada. Que a 9.ª Arte vive e vibra sempre com ficção e aventura. E, em certos casos, com fino humor.
Onde está o estimado José Ruy de obras como "Peregrinação", "A Mensagem", "Porque Não Hei-de Acreditar na Felicidade?", "Os Lusíadas"?...



LE GANG KENNEDY - A narrativa desenrola-se na América do Norte por volta de 1947. Mas, tal como maravilhosamente a série (de álbuns autónomos) "Jour J" sempre nos propõe, tudo é uma barafunda, atendendo ao sentido das hipóteses
do que teriam sido as situações se a História não tivesse singrado pelas vias que hoje se registam...
E, por todo o aspecto dramático das narrativas, sempre deparamos com uma fina e indelével ironia.
"Le Gang Kennedy" é o décimo tomo da série, com edição Delcourt, guião de Fred Duval e Jean-Pierre Pécau e o firme traço do neo-zelandês Colin Wilson.



LE  LABYRINTHE - Com edição Delcourt, é o segundo tomo da série "La Grande Évasion", também composta por álbuns autónomos ou, o que soe dizer-se, álbuns únicos. "Le Labyrinthe" tem guião de Mathieu Gabella e grafismo de
Stefano Palumbo.
Uma vasta equipa de ténicos ousados (arqueólogos, espeleólogos, matemáticos, psiquiatras, etc.) mergulham no subsolo da ilha grega de Creta, para descobrir o túmulo de Dédalo, o criador do famoso e lendário labirinto, onde o mítico e tenebroso Minotauro executava e se alimentava das ofertas humanas que lhe eram sacrificadas.
Mas toda esta intrigante e espantosa narrativa, leva-nos a outras "descobertas", ou seja, a bem estranhas teorias...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ENTREVISTAS (3) - EUGÉNIO SILVA

De seu nome completo Eugénio Rafael Pepe da Silva, nasceu a 25 de Fevereiro de 1937, no Barreiro, onde reside. Estudou na famosa Escola António Arroio de Lisboa. Para além de se dedicar também à Pintura, à Ilustração e ao Teatro, Eugénio Silva é um dos grandes e veteranos valores da nossa Banda Desenhada.
Tem exposto a sua 9.ª Arte em várias cidades portugueses, para além de no Japão e na Roménia. Foi homenageado nos Salões da Sobreda, de Moura e de Viseu.
Em teoria, os seus álbuns encontram-se quase todos esgotados, exceptuando-se o último, "O Crime de Arronches" (segundo Henrique Lopes de Mendonça). Os outros, são: "A História do Vidro", "Matias Sandór" (segundo Jules Verne), "Eusébio, o Pantera Negra", "O Príncipe Coelho" (no colectivo "Contos das Ilhas"), "Inês de Castro", "On a Retrouvé la Forêt Perdue " (álbum colectivo internacional editado em França), "O Sonho do Rapaz da Bóina", "História de Seia", "História do Seixal" e "Salúquia: A Lenda de Moura em Banda Desenhada" (álbum colectivo que também ainda não está esgotado).
Há longo tempo que Eugénio Silva está a elaborar uma obra que se prevê será um grande êxito comercial, tanto pelo tema como pelo seu cuidado grafismo, "Zé do Telhado".
E foi por aqui mesmo que encetámos uma breve entrevista:

BDBD - Quando é que te decides a acabar, finalmente, a tua BD sobre o Zé do Telhado?
Eugénio Silva (ES) - Não sei... não sei... Estou a trabalhar nisso com todo o empenho. Vamos ver se consigo que tal aconteça até ao Natal.
BDBD - As más línguas dizem que és um bocado preguiçoso. Confirmas?
ES - Não sou preguiçoso... Tenho é de ter uma certa disposição para trabalhar. E depois, como sou muito minucioso, levo mais tempo, evidentemente. Sou muito exigente para comigo.
BDBD - O teu álbum "Inês de Castro" foi um êxito. Está esgotado?
ES - Acho que sim, não sei... Como faliu a Meribérica (que foi a editora), nunca fui informado do destino das eventuais sobras. Aliás, nunca sei se há álbuns esgotados ou não, porque as respectivas editoras nunca me deram conta disso.
BDBD - Portanto, não é só o caso de "Inês de Castro", pois há também o álbum do "Eusébio", o da "História de Seia", o da "História do Seixal", "O Crime de Arronches"...
ES - Não, calma. "O Crime de Arronches" ainda não está esgotado. Essa obra foi uma encomenda da Câmara de Arronches", que o vende directamente sem passar pelas livrarias. Dos outros, não tenho até agora, qualquer informação.
BDBD - Temos ainda a recordar aqui que o teu álbum "Matias Sandór" não se encontra. Este esgotou mesmo, não foi?
ES - Sim, tudo leva a crer que sim. A editora era a Publica, que também faliu.



BDBD - Mas seria bom que esses teus álbuns fundamentais ("Inês de Castro", "Matias Sandór" e "Eusébio, o Pantera Negra") fossem reeditados, não achas?
ES - Sim, todos eles. Seriam hipóteses de boas vendas, especialmente, o "Inês de Castro" e o "Eusébio". Bom seria que surgisse uma editora que a tal se propusesse, mas agora com a crise... Maldita crise!
BDBD - A crise não será desculpa, pois há países em crise que sabem reeditar o que é válido...
ES - Mas lá fora há outras estruturas, há editoras só de Banda Desenhada.
BDBD - E no plano do estrangeiro, nunca tentaste a tua sorte?
ES - Não, muito a sério, nunca tentei. Uma vez, no Salão de Barcelona, tive um vago contacto com um editor alemão, mas isso não se adiantou. Ficou-se por uma primeira abordagem.
BDBD - E depois do "Zé do Telhado", que projectos estão nos teus sonhos?
ES - Talvez - digo talvez - me dedique ao conto de Eça de Queiroz, "A Perfeição". Vamos a ver...
"Zé do Telhado" - prancha 29 (inédito)

"Amoni", obra de estreia de Eugénio Silva publicada no suplemento do DN "Nau Catrineta", em 1965,
mais tarde reeditada pelo GBS nos Cadernos Sobreda BD n.º 11.



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (15)

 THOREAU - Álbum único, de certo modo encantador, relata-nos a vida e a filosofia de Henri David Thoreau: "La Vie Sublime -Thoreau".
Com edição Lombard, tem argumento de Maximilien Le Roy e arte gráfica de A. Dan. O álbum completa-se com um dossiê de texto e fotos referentes ao "universo de Thoreau".
Será muito interessante descobrir Thoreau, considerado o "pai da desobediência civil", que foi corajosamente contra o esclavagismo, sendo um pacifista que também defendia todos os aspectos da salvaguarda ecológica.
 
VU DE PRÈS - Com edição Lombard, "Vu de Près" é o 16.º álbum da série "Capricorne" por Andreas.
Estranho e absolutamente confuso, é obra pouco fácil para uma leitura clara e agradável. Há obras assim e há quem as aprecie, o que não é o nosso caso.

ANIM'ARTE / 85 - A revista trimestral "Anim'arte", editada pelo GICAV - Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu, mantém nas suas páginas artigos de Banda Desenhada e, por vezes, no seu suplemento "Caderno Técnico", até publica Banda Desenhada.
É o caso deste n.º 85 (Julho/Agosto/Setembro 2012), onde se foca a obra de Eça de Queiroz na Banda Desenhada e se publicam alguns exemplos da arte de Baptista Mendes. Regista-se ainda aqui, em jeito de reportagem, a Exposição Franco Caprioli em Viseu.
Contacto: GICAV - Rua João Mendes, 51 - 3500.142 VISEU

NAS ORIGENS DO Z - É mais um tomo da série "Spirou e Fantásio", sob edição Asa. Seus autores são Morvan, Yann e Munuera.
Esta é uma série que brilha quando participam Gaston Lagaffe e o pândego Marsupilami, ausentes desta vez.
De resto, o álbum é fraco e terrivelmente bocejante. Que pena! E que saudades também da força dos seus anteriores autores criadores, como Rob-Vel (aliás, Robert Velter) e André Franquin!

LE LION ET LE TEMPS VOLÉ - Com edição Lombard, é o quarto tomo da série fantasista "Légendes de Parvaterra", criação do espanhol Raúl Arnáiz.
Série apontada para um leitor mais jovem, tem o seu interesse relativo e decalca-se no estilo habitual da Banda Desenhada japonesa.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

HOMO HOMINI LUPUS

Stephen Desberg e Henri Reculé
Esta, Homo Homini Lupus (O Homem é o Lobo do Homem), é uma citação de Plauto, famoso dramaturgo do Império Romano. Verdade cruel que se tem confirmado através da História da humanidade. Muitas crónicas se narram com cenários nessa época, a romana, com versões no Cinema e na Televisão que, por norma, são deslumbrantes, porém vazias.
É na Banda Desenhada que tais narrativas se tornam mais concisas e fascinantes, onde se inclui a série humorística "Astérix", criada por René Goscinny e Albert Uderzo. No plano realista, como séries fundamentais, registam-se "Alix" por Jacques Martin, "Os Filhos da Loba" por Patrick Weber e o desenhista asturiano Fernando
Pasarin e as avassaladoras "Murena", por Jean Dufaux e Philippe Delaby, e "As Águias de Roma", por Enrico Marini, onde paira sempre essa afirmação de Plauto, Homo Homini Lupus.
E há ainda a extraordinária série "Cássio", por Stephen Desberg e o desenhista chileno-belga Henri Reculé.
"Cássio" comporta hoje seis tomos, inéditos em português. Os quatro primeiros formam o "Ciclo dos Assassinos" e os dois últimos, o "Ciclo de Roma", com os álbuns "Le Chemin de Rome" e "L'Appel de la Souffrance". Todos estes seis episódios relatando em pleno uma época e uma sociedade onde, desbragadamente, o homem é o lobo do homem.

  
Toda a narrativa da série se passa em duas épocas: a do imperador Antonino que tinha como seu médico pessoal o tão poderoso, rico e invejado Cássio, e na actualidade, com as incansáveis investigações da arqueóloga Ornella Grazzi. No primeiro ciclo, desvendam-se as causas que levaram Cássio a ser assassinado à punhalada por quatro dos seus piores inimigos. Mas será que Lucius Aurelius Cassio morreu mesmo ou, estranhamente, se tornou "eterno" através dos séculos? Teria esse médico da Antiguidade poderes ocultos para enganar a morte? E o que eram os estranhos pós medicinais (e miraculosos) de que Cássio se servia?
São os mistérios da vida secreta de Cássio, que Ornella vai tentar saber, desde que saiba tomar as boas decisões e, sobretudo, saber escolher os seus aliados. História, amores, traições, poder, invejas, ciúmes, seduções e vilezas, são os ingredientes fundamentais e de peso que entusiasmam qualquer leitor desta série publicada pelas Éditions du Lombard.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

NOVIDADES EDITORIAIS (14)

ALIX SENADOR - Foi anunciado com meses de antecedência que ia sair uma série paralela de "Alix", criada pelo saudoso Jacques Martin.
Todos ficaram nas melhores expectativas... Iria resultar? Seria um fiasco? Isto, embora a série original prossiga com continuadores de Martin.
E finalmente, o primeiro tomo, "Les Aigles de Sang" da série "Alix Senator" que, sob edição Casterman, conta também com uma edição de luxo. Pois a obra agora apresentada é um acontecimento e certamente cairia bem no agrado de mestre Jacques Martin.
Com argumento bem urdido por Valérie Mangin e a sumptuosa arte gráfica de Thierry Démarez, aqui aparece um Alix cinquentão e como senador romano, amigo do imperador Octávio Augusto. Acompanham o herói, seu filho Titus e o jovem Khefren, filho de Enak, o antigo amigo íntimo de Alix, de origem egípcia e que, por este primeiro tomo, é apenas lembrado, sem se saber que rumo levou a sua vida...
Mas Roma continua sob as mais terríveis conspirações dos políticos e dos clérigos e ainda, sob o terror que inspiram umas águias assassinas que obedecem à voz de um sinistro domador...
Uma tentação para a leitura, tanto mais que já se anuncia o segundo tomo, "Le Dernier Pharaon"... Será o reaparecimento de Enak ?... Série a não perder, pois merece calorosos aplausos.


LA STRATÉGIE DU POISSON-FLÛTE - É outra grande e boa surpresa, o primeiro tomo da série (um díptico) "La Ballade de Magdalena", com edição Lombard e criação total de Christophe Dubois.
Tendo como cenário o Oceano Índico nos inícios da Primeira Grande Guerra, há um clima intenso de um confronto de personalidades (Léonie de Sars, Lukian Bruckner e a sobrinha deste, Magdalena) sobre a violência das vagas oceânicas. Aliás, o mar e as paisagens exóticas deslumbram-nos em pleno pela arte de Dubois.
"La Ballade de Magdalena" é mais um exemplo da Banda Desenhada de alta qualidade.


O GATO DO RABINO - Com edição Asa, é um delicioso álbum duplo da tão satírica série "O Gato do Rabino", sob autoria de Joann Sfar, um dos grandes valores da nova geração de desenhistas franceses.
Este tomo contém os episódios "O Paraíso Terrestre" e "Jerusalém de África".
O divertido é que, sendo Sfar de origem judaica, não se retrai nada em fazer alfinetantes piadas aos usos e costumos do seu povo. Aplausos!


LES FANTÔMES - Depois de vários anos "esquecido", o herói Rorkregressa sob criação do alemão Andreas e com edição Lombard.
É a muito interessante arte de Andreas, mas sempre um tanto confuso através do enredo.
Uma obra de agrado para alguns e para a indiferença das maiorias...

PANTHÉON - Como tomo único, "Panthéon", com edição Glénat, tem Éric Adam e Didier Convard como guionistas e grafismo do tailandês Han Neck Han.
A proposta é interessante e localiza-se na Lua, que há vários séculos se tornou refúgio para os terrestres, dado que a Terra ficou quase toda coberta de água, atendendo ao desaparecimento das calotes polares. Os selenitas vivem em paz e nada lhes falta. Porém, surge uma bizarra epidemia de sucessivos suicídios. Descobre-se que isso se deve à falta de memória!... Os selenitas nada sabem do seu passado e das suas origens. Tal vazio leva-os à vaga de suicídios.
Os governantes da Lua enviam então à Terra, uma equipa de cientistas para recuperar o que for possível da sua História nos tempos distantes e esquecidos.