terça-feira, 17 de abril de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (145)

LES NAUFRAGÉS DE L’ESPACE - Edição Glénat. Autores: argumento de Denis-Pierre Filippi, traço de Vicenzo Cucca e cores de Fabio Marinacci. Primeiro tomo da série “Colonisation”.
Para os apaixonados pelo futurismo, esta série é uma interessante aposta.
O que está em causa? Apenas... o futuro. Daí que se pergunte: “Até onde poderá sobreviver a Humanidade?”...
Pelo século XXIII, a Humanidade terrestre está insuportável e quase esgotada. Naves imensas com milhares de terrestres, buscam outros planetas habitáveis.
Porém, parece que esses corajosos se perderam algures no Cosmos!...
Terá mesmo sido isso?...

LA PISTE DU PRÊCHEUR - Edição Lombard. Autor: Yves Swolfs.
Na linha “western”, o consagrado belga Yves Swolfs é o responsável - texto e grafismo - desta série, “Lonesome”, cujo primeiro tomo aqui se regista, pleno de mistério e de vigor.
Pelo século XIX, no estado do Kansas, impera um clima de violência, dado a estranhos interesses políticos. Um bizarro e cruel pregador, Markham, espalha torturas e mortes. A mando de quem?
Um misterioso e solitário cavaleiro (ou justiceiro?) empenha-se em descobrir a sua verdadeira entidade e em caçar o aberrante pregador.

O MUSEU DAS MARAVILHAS - Edição Asa. Autor: Brian Selznick.
Esta volumosa publicação, com mais de 600 páginas, narra a história comovente de dois jovens em busca das suas origens e da concretização dos seus sonhos.
Sendo de épocas diferentes, eles vão acabar por se encontrar no desenrolar dos seus percursos individuais. Esta história já deu recentemente um filme.
Neste livro, que não é propriamente um álbum-BD, encontramos constantes belas ilustrações a preto-e-branco, do próprio autor.

ICARE - Edição Delcourt. Autores: argumento de Amélie Sarn e arte gráfica de Marc Moreno. Primeiro tomo da série “Dark Blood”, o enredo navega pelo fantástico, tão sinistro como romântico.
Através dos tempos, a narrativa leva-nos até aos primeiros vampiros (humanos) e vai-nos revelando a espantosa origem desta maldição.
Os amantes do género vão aplaudir.
LB

sábado, 14 de abril de 2018

VIVA ARTUR CORREIA!

Artur Correia e Luiz Beira, em 2013
Em vésperas da inauguração da grande e merecida exposição evocativa da obra de Artur Correia, a realizar-se em Moura e com sessão de honra no dia 21 de Abril, e conforme eu havia acertado com o meu parceiro deste blogue, é agora a minha vez de registar em firme memória a relação de admiração e amizade com mestre Artur Correia. De qualquer modo, ressalvo, palavras nunca exprimem devidamente o que se sente...
Já conhecia alguma obra deste inesquecível desenhista através das publicações “O Pagem” e “Cavaleiro Andante”. Pessoalmente, conhecemo-nos em Janeiro de 1977, quando eu era repórter e redactor do semanário “Branco e Negro”. Aqui laborava também, como cartunista, o Victor Mesquita que amigavelmente me deu os contactos para um trabalho que eu estava a programar sobre os nossos desenhistas.
De uma assentada conheci: Fernando Bento, Artur Correia, Fernandes Silva, Carlos Alberto, Vítor Péon, José Ruy e José Garcês. Tal reportagem foi publicada no mencionado semanário, a 18 de Janeiro de 1977.
Desde logo estes conhecimentos deram resultado a belas amizades, só apartadas com os falecimentos de alguns: Fernando Bento, Vítor Péon, Fernandes Silva, Carlos Alberto e, mais recentemente, a 1 de Março do corrente, de Artur Correia.
É triste reparar que os media, praticamente, só focaram a vertente exemplar de Artur Correia como cineasta do Cinema de Animação, esquecendo a sua obra imensa como desenhista e cartunista!...
Também grave e quase aberrante: raríssimos blogues focaram esta triste notícia!...
É a Pátria madrasta que não merece os geniais artistas que temos!
Da esquerda para a direita: Artur Correia, João Mascarenhas,
Baptista Mendes, José Ruy e Luiz Beira durante o Festival de Beja
Claro que, a pouco e pouco, fui conhecendo outros valores da nossa BD: José Manuel Soares, Ricardo Neto, Manuela Torres, José Antunes, Jobat (ou, José Batista), José Pires, Baptista Mendes, Eugénio Silva, Pedro Massano, Arlindo Fagundes, Santos Costa, Catherine Labey, Augusto Trigo, etc. O Vassalo de Miranda, já o conhecia de Moçambique, quando lá vivíamos. Cito apenas os veteranos...
Talvez porque éramos ambos muito irónicos e brincalhões, o relacionamento com o Artur Correia sempre foi mais intenso pois frequentemente telefonávamos um ao outro. Agora, tal como para os outros que entretanto “se foram da lei da morte libertando” (verso do grande Camões), só posso “telefonar” para o Além, na saudade e na dorida memória, até chegar a minha vez.
Artur Correia, que tantas vezes me salientou a sua admiração pela arte de Fernandes Silva e, nos mais novos, por Jorge Miguel, era não só um extraordinário homem das Artes (Cinema de Animação, Banda Desenhada e Cartune) como de uma impecável personalidade. E frequentemente me salientava o seu puro afecto por mim, pelo Carlos Rico, a que juntou depois, pelo “pessoal” do GICAV. Tinha um verdadeiro coração de oiro!
Para mim e tantos que te estimavam, acredita, estás firme entre nós.
Viva Artur Correia!
LB
             Cartune oferecido por Artur Correia a Luiz Beira em 2013  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

BREVES (56)

ARTUR CORREIA HOMENAGEADO EM MOURA
Artur Correia na revista "Pica-Pau" (1955)

Relembramos que no próximo domingo, 15 de Abril, às 15:00 horas, inaugura em Moura uma exposição de trabalhos de Artur Correia, nome grande da BD nacional recentemente desaparecido, como aqui demos conta.
A exposição, organizada pela Câmara Municipal de Moura, está inserida na 38.ª edição da Feira do Livro e decorre no Parque de Feira e Exposições (pavilhão 2) daquela cidade, até 26 de Abril.
Mais do que uma exposição sobre o conjunto da obra de Artur Correia, esta mostra detém-se, maioritariamente, em material poucas vezes ou nunca antes exposto em público: esboços, ilustrações avulso, argumentos e guiões, pranchas inéditas, cartunes, projectos começados e nunca concluídos, storyboards, postais ilustrados, jogos, revistas, capas de discos, filmes de animação, cartões de Aniversário e de Natal personalizados... Enfim, um vasto e diversificado leque de trabalhos que, certamente, encantarão quem tiver a oportunidade de ir a Moura, no coração do Alentejo.
E muita gente da tribo da BD se perfila já, para marcar presença no dia 21, sábado, data da sessão de homenagem póstuma que comporta, também, o lançamento de mais um número dos "Cadernos Moura BD" (que inclui duas histórias inéditas: "Donzela que vai à Guerra" e "A Nau Catrineta").
Será, também, exposto um conjunto de testemunhos (escritos e desenhados) de colegas e amigos de Artur Correia que, dessa forma, se quiseram associar a esta homenagem.
Tudo boas razões, portanto, para uma visita a Moura, no próximo dia 21.
E porque não? 


LINHA GRÁFICA DO FESTIVAL "AMADORA BD" GERA EXPOSIÇÃO

Um dia antes, no sábado, 14 de Abril, pelas 16:00 horas, inaugura na Casa Roque Gameiro a exposição "Gente da Amadora - História e Memória Ilustradas". 
Trata-se de uma mostra sobre personagens da História da Amadora, produzida a partir das ilustrações de Nuno Saraiva que serviram de base à (muito interessante) linha gráfica da última edição do festival BD daquela cidade.
De entre as personagens representadas, destacamos as cinco ligadas ao mundo da 9.ª Arte: Stuart Carvalhais, António Cardoso Lopes Jr. (Tiotónio), José Garcês, José Ruy e Vasco Granja, todos eles moradores ou naturais da cidade.
A organização é da Câmara Municipal da Amadora e a entrada é livre.
A Casa Roque Gameiro fica na Praceta 1.º de Dezembro, n.º 2, Venteira - Amadora, e funciona todos os dias, excepto às segundas-feiras e feriados.
Contactos: 21 436 90 58 / www.cm-amadora.pt


COLECÇÃO  BONELLI
O justiceiro na linha “western”, Tex Willer, nasceu a 30 de Setembro de 1948, sob imaginação de Gian Luigi Bonelli, notável argumentista e editor italiano. Aliás, a sua obra editorial foi crescendo e continuada pelos seus familiares.
Tex é muito popular em diversos países, com Portugal incluído, havendo mesmo um clube específico e entusiasta na Anadia, graças ao empenho de José Carlos Francisco.
Neste decorrente 2018, Tex Willer celebra setenta anos. E, aproveitando a efeméride, o matutino “Público” lançou por dez semanas a “Colecção Bonelli” (às quintas-feiras), que terá início amanhã, 12 de Abril.
Nesta digna colecção constam: com dois álbuns, Tex e Dylan Dog; e, com um exemplar: Dampyr, Julia, Martin Mystère, Mister No, Dragonero e Le Storie (sem um herói específico).
Pena é que não esteja também incluído algum álbum de Zagor, que é um outro bem popular herói-série das edições Bonelli!...
Mas, a todos sem excepção, as nossas felicitações: a Tex Willer, às Edições Bonelli e ao jornal “Público” (por esta bela aposta).


SOLDADO MILHÕES, AGORA NO CINEMA
Na trágica Primeira Grande Guerra (1914-1918), donde a ainda mais trágica Batalha de La Lyz (9 de Abril de 1918), de todos os nossos aí sacrificados, o militar português que mais se notabilizou foi o destemido, astuto e corajoso Aníbal Augusto Milhais, que, pelo seu feito heróico e ainda sobre o acontecimento, um seu superior o louvou dizendo que ele não era Milhais mas sim Milhões.
Havia nascido em Murça/Valongo a 9 de Julho de 1885, foi altamente condecorado e faleceu a 30 de Junho de 1970.
Na Banda Desenhada há apenas três curtas abordagens, se bem que belas, uma por Augusto Trigo, outra por Baptista Mendes e uma terceira por Artur Correia e António Gomes Dalmeida.
Na Pintura, há um belo quadro a óleo de Carlos Alberto Santos.
Na Literatura, o livro “Aníbal Milhais - Um Herói Chamado Milhões”, sob edição Pato Lógico - Imprensa Nacional/Casa da Moeda, com texto de José Jorge Letria e capa e ilustrações de Nuno Saraiva. No Teatro, foi editada a tragicomédia em dois actos “Milhões”, de José Leon Machado, pelas Edições Vercial/Braga.
E por fim e em boa ocasião, os cineastas Gonçalo Galvão Teles e Jorge Paixão da Costa realizaram a longa metragem “Soldado Milhões”, com os actores João Arrais (Milhões em jovem) e Miguel Borges (Milhões em adulto).
O filme tem estreia nacional a 12 de Abril. Contamos vê-lo muito em breve.
LB

sábado, 7 de abril de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (144)

ANTIGONE - Edição Glénat. Autores, segundo a orientação de Luc Ferry, tem como argumentista Clotilde Bruneau e arte de Giuseppe Baiguera.
É mais um tomo da série “La Sagesse des Mythes” e inspirado na famosa tragédia homónima de Sófocles.
Principais personagens: Antígona e sua irmã Isménia (filhas de Édipo e Jocasta), Creonte (tio de ambas e cruel ditador da cidade-estado de Tebas), Eurídice (esposa de Creonte), Hémon (filho destes e noivo de Antígona) e o adivinho cego Tirésias.
Por todo o cruel argumento, paira o intenso dramatismo das famosas tragédias da Grécia Clássica: os irmãos (de Antígona e Isménia) Eteócles e Polínices, morrem numa luta fratricida, pois ambos queriam o trono de Tebas.
Creonte tinha simpatias por Eteócles e decreta que este tenha o funeral honroso e tradicional, e decide que quem quer que seja que dê sepultura a Polinices, seja condenado à morte.
Antígona revolta-se ante esta injustiça e, já condenada a ser emparedada, atira-lhe frontalmente a sua célebre frase: “Nasci para amar e não para odiar!”. Em vão!... Tirésias alerta Creonte para o erro que está fazendo, mas quando o rei cai em si, já é tarde: Antígona enforcara-se  na gruta-cárcere onde estava encerrada e Hémon, sabendo disto, suicida-se tal como sua mãe Eurídice, ao saber da morte do filho...


O ATENEU - Edição Polvo. Autor: Marcello Quintanilha, segundo a homónima obra de honra do romancista brasileiro Raul Pompeia.
O tema é tão agressivo como terno e denunciante, centrado num ríspido e famoso colégio interno para rapazes, onde tudo pode acontecer... É um tema que outras vezes na Literatura já foi abordado. Lembram-se, ao acaso, os romances, “Colégio de Rapazes”, de Carmen de Figueiredo, e “As Amizades Particulares”, de Roger Peyrefitte. Não são obras convergentes, mas os assuntos destes três romances são marcadamente paralelos...
“O Ateneu” de Raul Pompeia já teve outras adaptações à Banda Desenhada, mas com esta versão de Quintanilha (que já esteve num dos festivais-BD de Beja e que reside em Barcelona), a obra ganha e encanta com um novo fôlego. Se a firmeza da arte de Marcello Quintanilha é incontestável, nota-se neste seu peculiar empenho o convite para uma leitura obrigatória.
Que se esqueçam os “Tio Patinhas”, os Mangá e/ou os Super-Heróis (que o tresloucado do Donald Trump deve adorar...) e que se aposte na leitura bedéfila que tem 100%  de qualidade!...


LE MIRAGE ITALIEN - Edição Delcourt. Autores: argumento de Thierry Gloris, traço de Jaime Calderon e cores de Felideus. É o primeiro tomo da série “Valois”.
A grandiosa época histórica da Renascença teve tanto de bela e grandiosa (nas Artes) como de sinistra, nas ambições e aberrantes crimes.
E, por esta série, tudo se indica com alta classe gráfica, tendo como fio condutor a amizade e a rivalidade dos heróis de ficção, o francês Henri Guivre de Tersac e o catalão Blasco de Vilallonga.
De resto, estão lá as batalhas impiedosas, os assassínios “por conveniência”, as furiosas ambições políticas, tanto de lado da França como do Vaticano, sem esquecer os hipócritas climas sexuais...
E todos à mistura, como que numa bizarra e repulsiva orgia, lá estão os Bórgia, os Della Rovere e a variada nobreza francesa toda bem desaguisada... Que delícia!
“Valois” é mais uma vigorosa e bela série a ler e a acompanhar com uma apurada atenção.
LB

quarta-feira, 4 de abril de 2018

A ILHA DO CORVO QUE VENCEU OS PIRATAS (14)


Continuamos a descrever como está a ser realizado o painel de azulejos com o desenho inspirado na capa do livro em Banda Desenhada, a editar em breve, e que o BDBDBlogue tem vindo a acompanhar desde os primeiros passos.
Neste artigo mostramos a operação de aplicar a imagem nos azulejos previamente preparados para isso.
Damos agora a palavra ao técnico Mário Duarte, da «Cerâmica da Praia», dos Açores.

«Após a fase anterior, os azulejos estão preparados para receber a imagem.
Não sendo necessário para nós num processo normal de trabalho, neste caso, para os leitores do BDBDBlogue terem uma noção da dimensão do trabalho envolvido na fase de impressão (a mais morosa), estendemos todas as folhas impressas sobre a superfície dos azulejos (sem as cortar antes da estampagem). Como se devem recordar, este trabalho teve 19 planos de impressão (verificável na contagem das folhas nos azulejos sobre a mesa - ver o artigo anterior. No lado esquerdo da imagem o 19.º plano está cortado em dois, mas constitui um só plano). Desses 19 planos, sendo a imagem original a 2 tons de azul dá as tais 38 películas, e respetivos suportes, necessárias para a execução do painel, que referi ao longo da explanação do processo de trabalho.
A numeração dos planos que aparecem nas fotografias, é retirada durante a estampagem ou desaparecem quando da cozedura.
Agora começa a magia…
As folhas de impressão são finalizadas com um produto que permite a fixação e transferência da imagem quando são mergulhadas em água. Nós usamos a água a uma temperatura determinada, consoante a idade dessas folhas impressas - vulgarmente chamadas decalques.
Neste processo - depois da imersão na água, num tempo que a experiência permite perceber - a imagem separa-se do papel (a base na impressão) e com alguma prática e perícia é estendida sobre a superfície de cerâmica a cobrir - neste caso, o azulejo.
É a experiência repetida, a correção e compreensão dos tempos próprios deste processo que permite que não se destrua todo o trabalho anterior executado (ver imagens seguintes).
Mas será no próximo artigo que poderão ver essas imagens que o nosso amigo Mário Duarte, da azulejaria, nos faz o favor de mostrar.
Não percam!
José Ruy
março de 2018

domingo, 1 de abril de 2018

BREVES (55)


EM MOURA, HOMENAGEM PÓSTUMA A ARTUR CORREIA
No próximo dia 15 de Abril, domingo, a Câmara Municipal de Moura inaugura uma exposição de trabalhos de Artur Correia, nome incontornável da banda desenhada e do cinema de animação, recentemente desaparecido.
Integrada em mais uma edição da Feira do Livro de Moura, a exposição contará com trabalhos originais nunca antes publicados nem expostos ao público.
Por gentileza dos familiares de Artur Correia, dois desses trabalhos (as adaptações dos poemas populares "Donzela que Vai à Guerra" e "A Nau Catrineta") serão publicados em estreia absoluta em mais um número da colecção Cadernos Moura BD.
A mostra, como dissemos, inaugura no próximo dia 15, no Parque de Feiras e Exposições de Moura (Pavilhão 2), e encerra a 26 de Abril. Fica, no entanto, aqui uma chamada de atenção (também em jeito de convite) aos interessados, para a data da sessão de homenagem: 21 de Abril, sábado, às 16:30.
Nesse dia se evocará o Homem, o Autor e a Obra, com a presença dos familiares mais próximos, e de muitos amigos e colegas de ofício que, desde logo, confirmaram a sua vinda até Moura, cidade que Artur Correia tantas vezes visitou, por ocasião do seu salão de banda desenhada (onde, recorde-se, foi "Convidado de Honra" na edição de 1994).
Em devido tempo aqui publicaremos a reportagem que se impõe sobre esta iniciativa. Até lá, porque não uma visita a Moura no próximo dia 21?


GRÃO-VASCO RELEMBRADO EM VISEU
Entretanto, no próximo mês de Agosto, durante a Feira de São Mateus, o Gicav inaugura uma exposição dedicada a Grão-Vasco, figura intimamente ligada à cidade de Viseu.
Dentro da linha a que nos tem habituado nos últimos anos, o Gicav promove, de novo através da banda desenhada, a História de Portugal e dos seus personagens ligados àquela cidade beirã (como foram os casos de Viriato, em 2015, Infante Dom Henrique, em 2016, e Dom Afonso Henriques, em 2017).
A exposição terá como base o álbum de João Amaral "Museu Nacional Grão-Vasco / 1916-2016: em busca da Arte perdida", dando-nos a conhecer os "bastidores" desta obra. Não só poderão ser observadas as pranchas definitivas, tal como foram publicadas, como também muitos esboços e apontamentos tomados pelo autor durante a execução do trabalho. Uma forma diferente de olhar para o mesmo álbum, sem dúvida.
Oportunamente daremos informações mais detalhadas.


16 DE MARÇO CONTADO EM BD POR JOSÉ RUY
José Ruy lançou recentemente uma nova versão do seu álbum "Nascida das Águas", revista e acrescentada com um episódio marcante na História de Portugal: o 16 de Março de 1974. 
Neste dia histórico, uma coluna militar de catorze viaturas saiu das Caldas em direcção a Lisboa e tentou desencadear uma revolução, com intenção de derrubar o regime político então vigente.
A operação fracassou mas seria tudo uma questão de tempo já que quarenta dias depois - a 25 de Abril - um novo golpe militar, melhor preparado, fez com que a revolução fosse mesmo uma realidade e devolvesse ao povo português a Liberdade e a Democracia há tanto perdidas.
Para além da presença de José Ruy, a sessão contou com Otelo Saraiva de Carvalho e outros militares de Abril, perante uma plateia de 300 alunos.
Parabéns a Mestre José Ruy que continua, assim, imparável, a somar êxitos!



ANIVERSÁRIOS EM ABRIL


Dia 03 - Daniel Ceppi (suíço)
Dia 05 - Carlos Pessoa
Dia 08 - António Gomes de Almeida e Sérgio Macedo (brasileiro)
Dia 09 - Sebastian Caceres (argentino)
Dia 10 - Vete
Dia 14 - Nelson Martins
Dia 15 - Miguel Angel Alejo (espanhol)
Dia 18 - Victor Mesquita
Dia 30 - Jakob Klemencic (esloveno)

quarta-feira, 28 de março de 2018

NOVIDADES EDITORIAIS (143)

LA CITÉ DU DRAGON - Edição Glénat. Autores: argumento de Willy Duraffourg e Philippe Thirault, traço de Federico Nardo e cores de Aretha Battistutta.
“La Cité du Dragon” é o primeiro tomo da série “Macao”.
Quem viveu, visitou ou reside em Macau (ex-território português) vai certamente gostar desta obra, onde a região está bem marcada, a par do enredo no mundo do jogo e de incómodas intrigas.
Não é a primeira vez que Macau figura na Banda Desenhada (francófona), pois há, pelo menos: “Rendez-vous à Macao” (43.º tomo da série “Michel Vaillant” por Jean Graton) e “L’Empereur de Macao” (27.º tomo da série “Bob Morane” por William Vance).
Na recente obra, León Chung é um jovem jornalista hongkonguês que se desloca a Macau para reportar os sinuosos e perigosos bastidores do mundo do jogo e não só. É “apanhado” pelo poderoso e misterioso Sr. Kwan Taoque o contrata “à força”, para que o jornalista escreva as suas memórias ou talvez, a sua lenda.
León, não vai ter a vida fácil... embora com muitas benesses.


OLIMPO TROPICAL - Edição Polvo. Argumento de André Diniz e arte gráfica de Laudo Ferreira, ambos brasileiros.
O Rio de Janeiro já não é bem a lendária e deslumbrante “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil” de sedutoras praias e de carnavais espectaculares... O autêntico Rio de Janeiro de agora, assustador e avassalador, é onde impera a violência constante com roubos, torturas, mortes e droga. Um temível e imparável inferno que, das famosas e imensas favelas, domina a seu belo prazer toda a
incauta grande cidade que envolvem.
Com “Olimpo Tropical”, os autores revelam-nos um retrato bem cruel, porém realista e sem fantasias doces para se sonhar.
É uma obra de peso e amarga que, no entanto, é muito conveniente que se leia.
Um aplauso pleno ao talento e à coragem de André Diniz e de Laudo Ferreira.


L’OR DES CAÏDS - Edição Dargaud. Autores: argumento de Vincent Brugeas, traço de Ronan Toulhoat e cores do próprio argumentista.
Este é o primeiro tomo da série “Ira Dei”.
Por volta do ano 1040, toda a zona do Mediterrâneo andava infestada (situação que, parece, nunca amainou...) pelos mais diversos povos e crenças religiosas. As guerras e os massacres são implacáveis. Com desmesuradas ambições e raivosas violências, ninguém pode confiar em ninguém. As vinganças cruéis sucedem-se.
Arte gráfica com belas e apreciáveis cenas.
LB

domingo, 25 de março de 2018

ENTREVISTAS (28) - MONIQUE ROQUE

Nascida em Bruxelas, na Bélgica, Monique De Rom (Santos Roque, após o casamento) foi durante muitos anos companheira e argumentista de Carlos Roque, prolífico desenhador português que distribuiu a sua carreira entre Portugal e aquele país do centro da Europa.
Tem o Curso de Ciências Comerciais e Consulares (tirado no Institut Superieur de Commerce de Belgique, em Bruxelas) e nessa cidade exerceu funções no Euratom. Foi, depois, trabalhar em Roma para a FAO (organismo da ONU para a Agricultura).
Após três anos em Itália, regressou a Bruxelas e casou, em 1968, com Carlos Roque, iniciando com este uma frutuosa parceria, escrevendo argumentos e gags para séries BD que criaram juntos. Na vida como no trabalho, Monique e Carlos mantinham uma grande cumplicidade, o que se traduziu em magníficas tiras e pranchas de personagens absolutamente inesquecíveis como "Angélique", o pato "Wladimyr" ou o Mágico "Patrake".  
Em Portugal, onde o casal também viveu, Monique deu aulas de francês no Banco de Portugal e no Instituto Nacional de Administração.  
Com o falecimento de Carlos, em 2006, Monique colocou de lado a sua faceta de argumentista, deixando, em definitivo, na gaveta os muitos projectos que o casal sonhava desenvolver. 
Hoje, reside alternadamente na Bélgica, seu país-natal, e em Portugal, que abraçou como seu, também. 
Tentando resgatar de um anonimato mais ou menos forçado a argumentista que tantos gags inventou para Carlos desenhar magistralmente, apresentamos hoje uma curta mas interessante entrevista com Monique Roque, que esperamos seja do agrado dos nossos leitores.


BDBD - Sendo natural da Bélgica (um país onde a BD tem um estatuto tão especial), a Monique, antes de conhecer Carlos Roque, tinha alguma afinidade com a banda desenhada (como leitora, por exemplo) ou era algo que não fazia parte da sua vida? 
Monique Roque (MR) - Na verdade, a banda desenhada não fazia muito parte da minha vida. Em miúda comecei a ler as aventuras de Tintin e algumas outras obras, mas preferia ler livros com texto - romances, essencialmente - dado que os meus pais tinham uma grande reserva deles. Transmitiram-me, desde muito jovem, o gosto pela leitura. 


Monique, quando jovem,
caricaturada por Carlos Roque
BDBD - Como foi que você e o Carlos se conheceram?
MR – O nosso encontro foi o resultado de muitas coincidências. Em primeiro lugar houve o encontro do melhor amigo de Carlos, José Conde Reis (que emigrou também para a Bélgica) com a minha melhor amiga (que se chama também Monique). Foram eles que tiveram a ideia de um encontro entre o Carlos e eu. Só que, nesta altura, eu não queria encontrar ninguém. Tinha decidido sair da Bélgica e participei num concurso da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura, com sede em Roma). A minha candidatura foi aceite e estava à espera de ser convocada para trabalhar lá. Finalmente, encontrei o Carlos... três semanas antes de partir para Roma. Simpatizámos logo mas tivemos, então, uma relação complicada devido à separação e à distância. Foram bem três anos de separação entre Carlos, em Bruxelas, e eu, em Roma. De facto, só tomámos contacto durante as três primeiras semanas antes da minha viagem. Depois foi tudo por telefone e cartas (não havia nem telemóvel, nem e-mail nesta altura!). O Carlos foi visitar-me a Roma algumas vezes, enquanto eu voltava de férias a Bruxelas também às vezes, mas tivemos pouco tempo juntos. Por isso digo que foi uma relação um pouco complicada e difícil de gerir. Depois de três anos, resolvi regressar a Bruxelas onde casámos... e vivemos muito felizes, como se diz nos contos de fadas!

BDBD - Sei que o Carlos a introduziu nos "bastidores" da banda desenhada, onde privou com muitos dos grandes nomes da BD europeia. Como foi essa experiência? Que memórias guarda desses tempos?
MR - Guardo excelentes recordações disso. Foi uma experiência muito rica em descobertas e emoções. Encontrei e falei com gente tão famosa: Hergé, Franquin, Roba, Morris, Goscinny... não posso citar aqui todos. Por exemplo, Franquin gostava muito do Carlos e do seu trabalho, ao ponto de lhe pedir para fazer os títulos dos álbuns de Spirou ou de Gaston Lagaffe! Era toda a gente muito simpática e o ambiente sempre muito convival. Fomos a exposições, jantares, tertúlias...
Para mim era tudo novo e excitante. Depois encontrei, também, os artistas portugueses e o mundo da BD em Portugal. Outra experiência muito interessante.

BDBD - Como foi que a Monique se tornou argumentista?  
MR - Foi muito simples. No princípio, era só ajudar o Carlos no texto em francês. Mas depois começámos a discutir ideias de gags e, pouco a pouco, a minha participação foi-se desenvolvendo. 


Monique e Carlos Roque
BDBD - Qual era o vosso método de trabalho? As ideias surgiam espontaneamente e eram trabalhadas depois em conjunto, ou o Carlos apenas se limitava a desenhar a história que a Monique criava, sem interferir no processo de criação do argumento?
MR - Nós gostávamos de trocar ideias de histórias. Eram trabalhadas em conjunto e surgiam naturalmente; uma vez era mais uma ideia do Carlos, outra vez era minha. Depois vinha o trabalho de criação: encontrar o texto à medida dos desenhos. Era muito gratificante e gostei muito desta “actividade” nova. Não tinha cara de trabalho, mas sim de prazer verdadeiro. Criar em conjunto e ver o resultado.

BDBD - E a Monique? Também interferia com o desenho do Carlos, dando sugestões e ajustando pormenores? Lembra-se de alguma situação, em particular, em que isso tenha sucedido?
MR - Um bom exemplo é o nosso pato Wladimyr. Fui eu quem sugeriu ao Carlos que desenhasse um pato mas ele estava muito reticente: havia já muitos patos na banda desenhada, e não gostava de bichos a brincar a homens. Mas o mundo de Wladimyr, afinal, não tinha nada disso. Optámos por histórias mais ao estilo dos Peanuts. O Carlos mostrou-me os primeiros esboços do pato e gostei logo. No princípio era um projecto pouco ambicioso: fazer alguns gags, porque talvez não fosse fácil encontrar ideias boas. Por fim, fizemos uma centena de histórias, com capas e sumários para o jornal Spirou. Até ganhámos um prémio, o prémio St. Michel

BDBD - O Carlos trabalhou com outros argumentistas, ao longo da sua carreira. E a Monique? Trabalhou exclusivamente com o Carlos ou também criou argumentos/gags para outros desenhadores?
MR - Trabalhei só com o Carlos. Estava bastante ocupada porque tinha um emprego. Fazer BD era só nos tempos livres.

BDBD - Falemos um pouco dos personagens/séries que criaram juntos. Creio que o primeiro foi a Angélique, certo?
MR – Sim, comecei com Angélique. À partida, Angélique foi inspirada pelo Malaquias, sendo uma versão feminina desta personagem de que o Carlos gostava muito. Havia poucas personagens de raparigas na BD. O Carlos imaginou, então, esta rapariga falsamente inocente que inventa cada uma para "atormentar" o seu querido tio... A principio, o Director do jornal Spirou, Charles Dupuis, não gostava muito da figura do tio que achava "demasiado gordo", mas o Carlos explicou que a intenção era mesmo jogar com o contraste entre estes dois "heróis". Gostei muito de participar nas peripécias desta adorável pequenina. Como já disse, as ideias de gags vinham de discussões a dois. Era muito gratificante e divertido fazer isto. A serie trazia algo de novo nas personagens e teve bastante sucesso.

BDBD - O Pato Wladimyr foi talvez a vossa série de maior sucesso, tendo, mesmo, ganho o Grand Prix, como já disse...
MR - De facto, eu gosto de patos e foi por isso que tive esta ideia. Como expliquei, o Carlos hesitou mas quando lhe dei algumas ideias de gags ele começou a ganhar interesse no projecto. O Carlos, com o seu talento, criou um pato totalmente diferente e conseguiu torna-lo muito expressivo. Foi a chave do sucesso da série. Também o facto de ter sempre o mesmo cenário e as personagens que, pouco a pouco, entraram neste mundo à parte de Wladimyr, tudo isso explica o sucesso. Ficámos muito contentes por ver que o público percebeu bem a nossa filosofia na série.

BDBD - Wladimyr e Elodie eram os alter-egos de Carlos e Monique? Há pelo menos uma história muito bem conseguida, em duas pranchas, onde isso se pode perceber... 
MR - Essa história é muita gira e foi muito divertido fazê-la. Tirámos fotografias para obter mais realismo. Foi uma ideia que tivemos um belo dia e gosto muito do resultado final. Não diria que o Wladimyr é o alter-ego do Carlos enquanto eu seria Elodie, mas é verdade que algo das nossas personalidades se reflete nestas personagens. E também é verdade que fizemos críticas e comentários muito pessoais através desta série…

BDBD - Também criou argumentos/gags, ou ideias, para a série Patrake, tendo mesmo emendado o nome com que o Carlos tinha baptizado o personagem (Mandraço!?). A sua sensibilidade feminina alertava o Carlos, com regularidade, para pequenos/grandes detalhes como este?
MR - Como já disse, nós trocávamos ideias e tínhamos muitas afinidades na nossa maneira de pensar e de viver. A nossa relação era muito forte. Logicamente havia uma influência minha no trabalho do Carlos. Foi uma grande colaboração, que resultava do nosso grande entendimento em geral. É verdade que interferi para escolher o nome do Patrake. O nosso mágico é uma paródia humorística do Mandrake e o Carlos queria um nome bastante próximo, para evidenciar a referência. Pensei então em "Patrake", que faz lembrar alguém com pouco jeito. O Patrake, coitado, não é um mágico muito esperto!...
                
Tiras de "Patrake, o Mágico" publicadas na TV Guia Júnior, suplemento da revista TV Guia.

BDBD - Restam-nos o Malaquias e o gato Moska. Fale-nos um pouco destes personagens.
MR - O Malaquias foi um trabalho do Carlos, em Portugal, antes de me conhecer. Gosto muito desta série mas não há nada de mim neste personagem. O gato "Moska" é outra coisa. É inspirado num gato nosso, que partilhou connosco dezoito anos de vida. É pena que o Carlos não tenha tido tempo para continuar os esboços, pois tinha muitas e boas ideias para gags. Ficaram, assim, na casa dos projectos...
Tiras do gato Moska (com o título "Aqui há Gato..."), publicadas na TV Guia Júnior,
suplemento da revista TV Guia.

BDBD - Há uma história/paródia, também com argumento seu, desenhada maravilhosamente pelo Carlos Roque em preto e branco, que se baseava vagamente n’ "Os Pássaros", de Hitchcock. Que razões os levaram a trabalhar esse tema? Eram apreciadores de cinema, de uma maneira geral, ou gostavam particularmente dos filmes do mestre do suspense?
MR - Nós gostávamos muito de cinema em geral, de todos os géneros, e penso que vimos quase todos os filmes de Hitchcock. É mais uma prova da nossa comunhão de gostos: o Carlos ia ver as obras de Hitch e também eu ia. Não me lembro muito bem de como surgiu a ideia das quatro páginas desta história, que não é bem uma paródia mas sim uma referência com admiração. Lembro-me, sim, que tivemos muito prazer em inventar tudo isto e, naturalmente, o Carlos conseguiu um desenho perfeitamente adaptado ao ambiente da história. Teve bastante sucesso na revista Spirou.    
"Os Passarocos de Manfredo Ycxkcoc", por Monique e Carlos Roque,
in "O Mosquito" (5.ª série) #3 (1984)

BDBD - Deixou alguns argumentos na gaveta, que o Carlos Roque não tivesse tido tempo de desenhar?
MR - Infelizmente a gaveta estava cheia de projectos diversos, incluindo o tal Moska. Guardei os esboços, as ideias anotadas, etc. Mas sem o Carlos, tem de ficar assim...

BDBD - Li, algures numa entrevista, que a Monique e o Carlos Roque consideravam os seus personagens como “os filhos que não tiveram”. Nunca pôs a hipótese, após o falecimento do Carlos, de outros autores pegarem nos vossos "filhos" e continuarem as respectivas séries?
MR - Pensei nisso mas não encontrei ninguém interessado nesta oportunidade. Na verdade talvez não me sentisse apta a gerir bem esta situação...
Acho que a BD moderna difere bastante daquela que o Carlos conheceu. Tenho a certeza - ou quase a certeza - que o Carlos, tal como eu, não ia gostar muito do que se faz agora na BD. Isto é a minha opinião, puramente pessoal, e não se deve generalizar. Felizmente ainda há bons desenhadores mas não é fácil encontrar alguém que queira “adoptar os nossos filhos”. Pelo menos, até agora, não encontrei essa “pérola rara”!

BDBD - O Carlos esteve (e está, como se comprova nesta entrevista) sempre muito presente na sua vida. Nota-se que havia uma relação muito forte entre ambos. Nunca pensou em publicar um álbum com as melhores tiras do Wladimyr, as melhores histórias da Angelique ou os melhores gags do Patrake? Não acha que falta um álbum que recupere esses trabalhos? 
MR - Claro que pensei (e ainda penso!) nisso. Mas, tal como é difícil encontrar desenhadores, também é muito complicado achar um editor. Já tentei aqui em Portugal mas, depois das promessas do início, não se concretizou nada. Aliás, vou tentar tratar disso quando voltar da Bélgica. Também na Bélgica encontro as mesmas dificuldades. A BD porta-se melhor lá, talvez, mas o que funciona são os mangás e a BD “moderna” de que falei acima.
Carlos Roque tinha o sonho de publicar os seus personagens em Portugal, como se pode comprovar por este projecto de capa e contra-capa para uma colecção de álbuns que, lamentavelmente, nunca se viria a concretizar...


BDBD - Em 2011, o Carlos Roque foi alvo de uma homenagem póstuma no salão Moura BD, com uma bela exposição de originais (que viajou, depois, para o Festival da Amadora desse mesmo ano) e a entrega do Troféu Balanito Especial, que a Monique recebeu no palco do Cine-Teatro Caridade completamente lotado, perante um caloroso aplauso do público.
Apesar disso, acha que a obra e a memória de Carlos Roque têm sido suficientemente relembradas pelo meio bedéfilo?
MR - Acho que não e lamento isso. Fiquei muito feliz quando ocorreu esta homenagem em Moura, e ainda estou muito agradecida à Câmara de Moura por ter tomado essa decisão. Sei que alguém (chamado Carlos Rico) teve um papel muito importante nessa iniciativa. Foi muito bom e guardo preciosamente o Troféu Balanito.
Também foi muito bom ter, depois, a oportunidade de ter uma sala dedicada ao Carlos Roque (e a mim) no Festival da Amadora. Ainda bem que há gente interessada na obra do Carlos. Mesmo não sendo muitos, são de qualidade. Agradeço muito por ter esta nova oportunidade de falar dele.

BDBD - Quer dizer mais alguma coisa ou deixar alguma mensagem aos nossos leitores?
MR - Só quero fazer uma sugestão: se não conhecem as historias desenhadas pelo Carlos Roque, tentem descobrir algumas. Penso que farão uma bela descoberta. E se já conhecem a sua obra, muito obrigada pelo interesse. Ele merece. Disto tenho toda certeza.

BDBD - Muito obrigado, Monique, por esta entrevista, e esperemos que esse álbum com trabalhos de Carlos Roque seja, em breve, uma realidade.

CR